O Brasil assumiu pela primeira vez a liderança mundial nas importações de veículos produzidos na China. Nos primeiros cinco meses do ano, o país comprou US$ 5,2 bilhões em carros chineses, superando Rússia (US$ 5 bilhões) e Bélgica (US$ 3,8 bilhões), segundo dados da alfândega chinesa divulgados pelo Valor Econômico nesta terça-feira (28).
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o Brasil ocupava a sexta posição no ranking, as importações cresceram 146,9%, passando de US$ 2,1 bilhões para US$ 5,2 bilhões.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos veículos eletrificados — categoria que reúne carros elétricos e híbridos. As compras desse segmento somaram US$ 4,5 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, sendo US$ 2,7 bilhões apenas em abril e maio.
Eletrificados dominam importações de carros chineses
O Brasil também passou a liderar as importações mundiais de veículos eletrificados fabricados na China. Bélgica, com US$ 3,8 bilhões, e Reino Unido, com US$ 3,4 bilhões, aparecem na sequência.
A participação dos modelos elétricos e híbridos nas importações brasileiras de veículos chineses aumentou de 33% em 2021 para 87% em 2025.
No primeiro semestre, o Brasil importou US$ 5,35 bilhões em veículos chineses, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Desse total, os híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões.
Os veículos eletrificados representaram cerca de 15% de todas as importações brasileiras originadas da China no período.
Corrida antes da alta das tarifas
Segundo o diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, parte da aceleração ocorreu porque montadoras anteciparam embarques antes da elevação da tarifa de importação brasileira, que passou de 25% e 30%, dependendo da categoria, para 35%.
“Houve intensificação das importações para escapar da tarifa. A partir de agora, deve ocorrer alguma acomodação, à medida em que as vendas no mercado doméstico sejam atendidas pelo estoque formado”, afirmou.
Apesar disso, Cariello avalia que a demanda continuará elevada. “Não acredito que haverá queda forte, uma vez que há interesse alto do brasileiro, inclusive das classes média e média alta. O carro elétrico virou um desejo de consumo, e carro elétrico se tornou sinônimo de carro chinês”, disse.
Demanda cresce acima do mercado automotivo
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram vendidos 215.023 veículos eletrificados leves entre janeiro e junho, alta de 125% sobre igual período de 2025.
O desempenho supera o crescimento de 19,4% registrado pelo mercado automotivo como um todo, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Em junho, os eletrificados responderam por 18% das vendas de veículos no Brasil, ante 7,7% um ano antes.
Ainda segundo a Anfavea, o emplacamento de veículos 100% elétricos cresceu 193% no primeiro semestre, para 91 mil unidades. Já os híbridos plug-in avançaram 90%, enquanto os híbridos convencionais tiveram alta de 81%.











