A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador ficou abaixo dos 6,1% registrados no trimestre encerrado em março e também inferior aos 5,8% observados no mesmo período de 2025.
Apesar da redução da desocupação, economistas avaliam que os dados continuam indicando uma desaceleração gradual do mercado de trabalho, movimento esperado após o ciclo de juros elevados promovido pelo Banco Central.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, os dados reforçam a expectativa de perda gradual de ritmo da economia ao longo do segundo semestre, sem indicar uma deterioração mais intensa do emprego.
Número de desempregados cai e ocupação cresce
A população desocupada foi estimada em 5,9 milhões de pessoas, uma redução de 718 mil em relação ao trimestre anterior e de 392 mil na comparação anual.
Já o número de pessoas ocupadas chegou a 103,1 milhões, alta de 1,1% frente ao trimestre encerrado em março, o equivalente a mais 1,08 milhão de trabalhadores. Em relação ao mesmo período de 2025, houve acréscimo de 742 mil ocupados.
O nível de ocupação — indicador que mede a proporção de pessoas empregadas em relação à população em idade de trabalhar — subiu para 58,8%, ante 58,2% no trimestre anterior.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne desempregados, subocupados e pessoas disponíveis para trabalhar, caiu para 12,9%, frente aos 14,3% do trimestre anterior.
O número de pessoas subutilizadas passou de 16,3 milhões para 14,7 milhões, enquanto a população desalentada — formada por pessoas que desistiram de procurar emprego — recuou para 2,3 milhões, queda de 17% em relação ao mesmo período do ano passado.
Emprego formal fica estável e informal cresce
Entre as diferentes formas de ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada permaneceu estável em 39,4 milhões. Já os empregados sem carteira assinada cresceram 2,2% frente ao trimestre anterior, chegando a 13,6 milhões de pessoas.
O emprego no setor público avançou 2,6%, alcançando 13 milhões de trabalhadores, enquanto o número de trabalhadores por conta própria permaneceu estável em 26,1 milhões.
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.738, praticamente estável na comparação trimestral e 2,8% superior ao registrado um ano antes.
A massa de rendimento — soma dos salários pagos aos trabalhadores — atingiu R$ 380,3 bilhões, também estável frente ao trimestre anterior, mas com crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Transporte e setor público ampliam contratações
Na comparação com o trimestre encerrado em março, apenas dois grupamentos apresentaram aumento significativo da ocupação:
- Transporte, armazenagem e correio (+3,9%);
- Administração pública, educação, saúde e serviços sociais (+2,6%).
Na comparação anual, o transporte também registrou crescimento de 4,9%, enquanto os serviços domésticos apresentaram redução de 5%.
Analistas veem perda gradual de fôlego
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, apesar da queda da taxa de desemprego para 5,4%, o ajuste sazonal mostra uma leve alta, de 5,4% para 5,5%.
O economista chama atenção para a queda dos rendimentos reais pelo terceiro mês consecutivo. Segundo seus cálculos, os rendimentos acumulam retração de 0,2% na média móvel do segundo trimestre, sinalizando que a política monetária mais restritiva começa a produzir efeitos sobre o mercado de trabalho.
Ricciardi afirma ainda que cinco dos dez principais setores da economia já apresentam menor demanda por trabalhadores, entre eles construção, comércio, alojamento e alimentação, tecnologia, finanças e administração pública.
Para ele, o conjunto dos indicadores, somado aos dados do Caged divulgados nesta quarta-feira (29), reforça a avaliação de que o mercado de trabalho entrou em uma fase de desaceleração gradual.











