As empresas brasileiras sonegam R$ 508,5 bilhões em impostos por ano, quase 20% (18,8%) dos R$ 2,7 trilhões não declarados anualmente, de acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
Os principais motivos para os autos de infração — procedimento que pode resultar em multa ou cobranças — são erros relacionados às obrigações acessórias, ao cruzamento de informações entre os fiscos e ao preenchimento incorreto da classificação fiscal dos produtos.
Entre os impostos, o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) aparece como o tributo mais sonegado. Na sequência estão o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
João Eloi Olenike, presidente-executivo do instituto, afirma que há indícios de sonegação em 47% das empresas de pequeno porte, 31% das de médio e 16% das grandes companhias. “É notório que, quanto menor a estrutura, mais complexo é o sistema tributário para elas e, automaticamente, maior será a porcentagem de infração”, diz.
Estima-se que a sonegação média das empresas brasileiras correspondeu a 9,9% da arrecadação tributária em 2025, uma queda significativa desde o pico registrado em 2004, de 39%. O menor nível foi registrado em 2022, ao marcar 9,25%.
A evolução está relacionada ao avanço dos sistemas de controle fiscal e à maior capacidade de cruzamento de informações, segundo Olenike.
Autuações somaram R$ 349,1 bilhões em 2025
Considerando os fiscos federal, estaduais e municipais, o Brasil registrou 776.321 autos de infração em 2025, segundo o IBPT. O número equivale a uma média de 2.126 procedimentos por dia, ou aproximadamente 88 por hora. O valor total das autuações chegou a R$ 349,1 bilhões no ano.
Dentro desse total, os fiscos estaduais registraram 361.164 autos de infração relacionados ao ICMS, que somaram R$ 107,1 bilhões. Em um ano, a quantidade dessas autuações mais que dobrou, aumentando 136,24%, enquanto o valor total caiu 2,15% — foi de R$ 109,5 bilhões em 2024.











