A Vale (VALE3) apresentou lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, uma queda de 35% na comparação anual. Apesar da retração do lucro, o resultado ficou 34% acima da expectativa média do mercado, que projetava US$ 319,6 milhões.
Para o BTG Pactual, o balanço divulgado nesta quinta-feira (30) trouxe um alívio para a companhia, principalmente em virtude do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que superou em 6% as suas estimativas, apesar de um trimestre desafiador em custos.
Segundo o banco, os preços realizados do minério de ferro, das pelotas e do cobre vieram acima do esperado, enquanto a divisão de metais básicos voltou a apresentar desempenho operacional consistente.
Apesar do aumento do guidance de custos para o minério de ferro, o BTG considera que essa revisão já era esperada pelo mercado e foi parcialmente compensada pela melhora nas perspectivas para cobre e níquel.
O banco manteve recomendação de compra para os papéis da Vale, com preço-alvo de R$ 90. Às 14h20, os papéis subiam 0,62%, aos R$ 76,56, em um dia atípico na B3 após uma pane técnica que atrasou o início das negociações.
Vale amplia aposta no cobre
Durante a teleconferência com analistas nesta tarde, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa pretende ampliar significativamente a participação do cobre em seu portfólio.
Segundo ele, a meta atual é dobrar a produção do metal, com possibilidade de expansão ainda maior no futuro. Grande parte desse crescimento deverá ocorrer em Carajás, no Pará, onde a companhia concentra seus principais projetos de cobre.
A estratégia também foi destacada pelo BTG Pactual. Para o banco, a Vale poderá elevar sua capacidade para cerca de 500 mil toneladas anuais até 2030, com potencial de atingir 700 mil toneladas até 2035, o que a colocaria entre as maiores produtoras globais do metal.
Além disso, segundo executivos da mineradora, uma das principais commodities exploradas pela Vale, o minério de ferro permanece com fundamentos consistentes e dificilmente se desvalorizará.
O vice-presidente executivo Comercial e de Desenvolvimento, Rogério Nogueira, afirmou que um preço próximo de US$ 95 por tonelada reduziria a competitividade de cerca de 120 milhões de toneladas de produção global.
Na mesma linha, o diretor financeiro Marcelo Bacci disse que vê pouco espaço para novas quedas nas cotações. Segundo ele, preços abaixo dessa faixa fariam parte relevante da produção mundial operar com baixa rentabilidade, criando um piso para o mercado.
Vale revisa guidance para 2026
A companhia revisou algumas projeções operacionais para este ano. Entre os principais ajustes estão:
- aumento do guidance de produção de cobre para 360 mil a 380 mil toneladas, ante faixa anterior de 350 mil a 380 mil toneladas;
- manutenção da produção de níquel entre 185 mil e 200 mil toneladas;
- elevação do custo caixa (C1) do minério de ferro para US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada, acima da projeção anterior de US$ 20,0 a US$ 21,5;
- aumento do custo total (all-in) do minério para US$ 58 a US$ 62 por tonelada, contra US$ 52 a US$ 56 anteriormente.
Segundo a companhia, a revisão reflete principalmente o impacto da valorização cambial e da alta dos preços do diesel e do combustível marítimo (bunker).
Por outro lado, a Vale reduziu de forma significativa as projeções de custo para cobre e níquel, beneficiadas pelo aumento dos preços dos subprodutos utilizados no processo produtivo.
Outros destaques do balanço
A Vale encerrou o trimestre com fluxo de caixa livre de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, equivalente a um rendimento anualizado próximo de 9%, segundo cálculos do BTG Pactual.
O Ebitda proforma atingiu US$ 4,066 bilhões, alta de 19% na comparação anual e de 4% em relação ao trimestre anterior. Já a receita líquida somou US$ 10,498 bilhões, crescimento de 19% sobre o segundo trimestre de 2025 e de 13% frente aos três primeiros meses deste ano.
Segundo Gustavo Pimenta, a companhia registrou a maior produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018 e o melhor desempenho do cobre para o período em nove anos. “Nossa forte geração de Ebitda e fluxo de caixa demonstra a força da Vale em um ambiente global dinâmico”, afirmou o executivo.
A companhia também anunciou:
- distribuição de US$ 1,7 bilhão em dividendos, em linha com sua política de remuneração
- novo programa de recompra de 100 milhões de ações, equivalente a cerca de 2,3% do free float











