O dólar à vista encerrou a sexta-feira (31) em alta de 0,18% frente ao real, cotado a R$ 5,07, em meio ao aumento da cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio. Apesar do avanço no pregão, a moeda norte-americana acumulou queda de 1,79% em julho.
A Ptax, taxa de câmbio calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para contratos financeiros, encerrou o dia em R$ 5,0773, alta de 0,07% em relação ao fechamento anterior. No acumulado do mês, porém, a taxa recuou 1,92%, enquanto a queda no ano chegou a 7,73%.
O movimento desta sexta-feira acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). O cenário foi influenciado por um comunicado conjunto de dirigentes do Federal Reserve (Fed), que justificaram o voto dissidente na reunião de julho em favor de uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa de juros.
Oriente Médio aumenta cautela antes do fim de semana
Além do cenário monetário, o mercado acompanhou o agravamento das tensões geopolíticas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país atacará o Irã “com toda a força” caso necessário e voltou a dizer que perdeu confiança em um acordo com Teerã. Ao mesmo tempo, Israel rejeitou uma proposta apresentada pelo Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.
Segundo o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, a alta do dólar refletiu um movimento de ajuste após o real ter apresentado bom desempenho na véspera. “Não há nada muito relevante em termos de notícia, mas, com o conflito no Oriente Médio, o mercado fica mais defensivo antes do fim de semana”, afirmou ao Broadcast.
Garcia observou, contudo, que o mercado ainda reage com cautela às declarações sobre o conflito. “O mercado aprendeu a reagir com força apenas quando algo de fato acontece”, disse.
Real foi favorecido frente ao dólar ao longo de julho
Apesar da alta desta sexta-feira, o real encerrou julho entre as moedas com melhor desempenho frente ao dólar. Para Garcia, a valorização de mais de 20% do petróleo ao longo do mês contribuiu para melhorar os termos de troca do Brasil e favoreceu a balança comercial.
Além disso, a entrada de investimento estrangeiro direto e o diferencial elevado de juros entre Brasil e economias desenvolvidas — estratégia conhecida como carry trade — sustentaram a demanda pela moeda brasileira.











