O Itaú (ITUB4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta anual de 7,8%. O resultado foi acompanhado por rentabilidade elevada e estabilidade nos indicadores de qualidade da carteira de crédito.
Apesar do crescimento do lucro, o banco reduziu sua projeção para a expansão das receitas de prestação de serviços e resultados de seguros em 2026. Agora, a expectativa é de crescimento entre 2% e 5%, abaixo da faixa anterior, de 5% a 9%.
Os papéis do Itaú operam em forte alta de 2,11%, aos R$ 42,99, figurando entre as maiores altas da Bolsa nesta quarta-feira (5). O banco se recupera da queda do último pregão, quando caiu 2,48% em meio à cautela pré-resultado.
Inadimplência no Itaú permanece controlada
Os indicadores de qualidade da carteira seguiram estáveis no segundo trimestre. A inadimplência acima de 90 dias da carteira total permaneceu em 1,9%, mesmo nível observado no trimestre anterior. No Brasil, o índice ficou em 2,1%.
Entre pessoas físicas, a inadimplência de longo prazo passou de 3,6% para 3,7%. Segundo o banco, o movimento reflete a migração dos atrasos de curto prazo registrados no início do ano.
Nas micro, pequenas e médias empresas, o indicador avançou de 1,9% para 2%, enquanto entre grandes companhias permaneceu em apenas 0,1%. Já os atrasos entre 15 e 90 dias passaram de 1,7% para 1,8% na carteira total, concentrados principalmente nas pequenas e médias empresas.
As despesas com provisões para perdas esperadas somaram R$ 10,5 bilhões, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Margem financeira sustenta resultado
A margem financeira gerencial, principal fonte de receitas dos bancos, alcançou R$ 33 bilhões no trimestre, crescimento de 5,2% em relação ao segundo trimestre de 2025 e alta de 3,6% frente aos três meses anteriores.
A margem financeira com clientes somou R$ 32,6 bilhões, avanço anual de 5,1%, enquanto a margem com operações de mercado ficou em R$ 900 milhões, alta de 8,6%.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede a rentabilidade do capital dos acionistas, atingiu 24,3%, acima dos 23,3% registrados um ano antes, mas ligeiramente abaixo dos 24,8% do primeiro trimestre. Considerando apenas as operações no Brasil, o ROE foi de 25,7%.
Em nota, o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que os resultados refletem a estratégia de crescimento com rentabilidade, disciplina na concessão de crédito e investimentos em tecnologia.
Receitas de serviços crescem, com destaque para banco de investimento
As receitas com prestação de serviços totalizaram R$ 11 bilhões no trimestre, alta de 2,3% em relação ao ano anterior. Os principais destaques foram:
- receitas com consórcios, que cresceram 23,5%;
- banco de investimento, com avanço de 32,5%;
- administração de recursos, alta de 7,3%;
- operações de crédito e garantias, crescimento de 7,8%.
As receitas com cartões emitidos aumentaram 0,9%, para R$ 3,3 bilhões. O volume movimentado nas maquininhas do banco chegou a R$ 298,7 bilhões, avanço de 23,5%.
Já as receitas de conta corrente para pessoas físicas recuaram 21%, para R$ 501 milhões. Segundo o Itaú, a queda está relacionada à estratégia de oferecer condições mais competitivas aos clientes que ampliam o relacionamento com a instituição.
O resultado de seguros, previdência e capitalização foi de R$ 3 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao segundo trimestre de 2025.
BTG vê trimestre sem surpresas e recomenda compra para o Itaú
Em relatório, a equipe do BTG Pactual afirmou que o Itaú apresentou um segundo trimestre dentro das expectativas do mercado.
Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale destacam que o lucro líquido cresceu 1% na comparação trimestral e 8% em relação ao ano anterior, enquanto o crescimento do lucro antes dos impostos foi o mais lento dos últimos três anos.
Segundo o BTG, as receitas com tarifas continuam pressionadas pela menor atividade do banco de investimento, pela redução das taxas de performance na gestão de recursos e pela estratégia do próprio Itaú de reduzir algumas cobranças aos clientes.
A carteira de crédito cresceu 10% em relação ao ano passado, impulsionada principalmente pelas operações com empresas, crédito imobiliário e crédito consignado.
Na avaliação da instituição, a qualidade dos ativos continua sendo um dos principais diferenciais do Itaú entre os bancos brasileiros. O relatório destaca que as provisões permaneceram suficientes para cobrir praticamente toda a formação de inadimplência e que o custo do crédito permaneceu estável.
Mesmo após a redução do guidance para receitas de serviços e seguros, o BTG manteve recomendação de compra para as ações preferenciais do Itaú, com preço-alvo de R$ 42, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 23,5% em relação ao último fechamento.











