As ações da Smart Fit (SMFT3) registram a maior queda do Ibovespa nesta quarta-feira (6), em uma desvalorização de 8,02% após um segundo trimestre abaixo das expectativas operacionais do mercado. O desempenho, no entanto, não muda a tese de investimento do BTG Pactual para o longo prazo.
Segundo o banco, o crescimento da plataforma TotalPass deve continuar pressionando a percepção dos investidores nos próximos trimestres, principalmente pelas preocupações com possível impacto sobre as margens e eventual migração de clientes das academias para o modelo corporativo. Ainda assim, o BTG mantém recomendação de compra para as ações.
A Smart Fit encerrou o trimestre com receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025, mas cerca de 2% abaixo da projeção do BTG. O crescimento foi impulsionado por três fatores:
- aumento de 8% no número médio de alunos por academia;
- expansão de 20% da rede de unidades próprias;
- alta de 10% no ticket médio, indicador que representa a receita média por cliente.
No Brasil, a receita cresceu 17% na comparação anual. No México, o avanço foi de 16%, enquanto os demais países da América Latina registraram crescimento de 22%. O banco destaca que o reajuste do plano Black e a maior participação dos usuários vindos de plataformas parceiras contribuíram para elevar o ticket médio no mercado brasileiro.
BTG vê efeito temporário sobre as ações e tese permanece
Na avaliação do BTG Pactual, as preocupações com uma possível canibalização (com o avanço da plataforma TotalPass) ainda devem influenciar o desempenho das ações.
Ao mesmo tempo, destaca que a plataforma também aumenta o fluxo de clientes nas academias e pode elevar a geração de lucro à medida que ganha escala e reduz os descontos concedidos às empresas.
Mesmo com a reação negativa do mercado ao balanço, o BTG afirma que a Smart Fit continua sendo uma das principais teses de crescimento no setor de consumo da América Latina.
Segundo os analistas, a companhia negocia atualmente a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2026, mantendo fundamentos apoiados em três pilares: escala operacional na América Latina; modelo de academias com elevada rentabilidade por unidade; mercado ainda fragmentado, com espaço para expansão e consolidação.
O banco projeta crescimento anual composto de aproximadamente 30% no lucro por ação (LPA) entre 2026 e 2029 e reiterou sua recomendação de compra para as ações da Smart Fit.
Outros destaques do balanço da Smart Fit
Apesar dos investimentos na expansão da rede e no desenvolvimento da TotalPass, a Smart Fit aumentou sua rentabilidade. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 712 milhões, alta anual de 24%. A margem Ebitda avançou para 32,7%.
Já o lucro líquido recorrente ajustado ficou em R$ 204 milhões, abaixo da estimativa de R$ 246 milhões do BTG. Segundo o banco, o resultado foi impactado por R$ 32 milhões em despesas financeiras extraordinárias relacionadas à antecipação do pagamento de debêntures no Brasil e dívidas no México.
Nos últimos 12 meses, a companhia gerou aproximadamente R$ 2,4 bilhões em fluxo de caixa operacional, mantendo conversão de 92% do Ebitda, o que, na avaliação do BTG, preserva capacidade para financiar a expansão da rede.
Peso da Total Pass no balanço
A participação da TotalPass entre os usuários ativos no Brasil subiu de 27% para 35% em um ano. No México, a plataforma manteve participação próxima de 79%. A empresa encerrou junho com 2,2 milhões de clientes no Brasil e no México, acima dos 2 milhões registrados no trimestre anterior.
O presidente da Smart Fit, Diogo Corona, afirmou que a companhia ampliou sua participação de mercado no Brasil e que o crescimento da plataforma decorre da expansão da atuação comercial junto às empresas e do aumento da percepção de valor do benefício pelos colaboradores.
Para o diretor financeiro, José Luís Rizzardo, a linha de negócios que inclui a TotalPass passou a representar 17% do lucro bruto caixa, ante 12% um ano antes.
Além disso, a margem desse segmento alcançou 84,7%, expansão de 15 pontos percentuais, impulsionada principalmente pelo desempenho da operação brasileira.











