O Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% na comparação anual e avanço de 3,5% comparado com os três primeiros meses do ano.
O resultado veio acompanhado de melhora na rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), indicador que mede quanto o banco gera de lucro em relação ao capital dos acionistas, alcançou 16,2% em junho, contra 14,6% um ano antes e 15,8% no primeiro trimestre.
Apesar do avanço nos indicadores financeiros, o banco registrou aumento da inadimplência, principalmente entre pessoas físicas e pequenas e médias empresas (PMEs). O índice de atrasos superiores a 90 dias terminou o trimestre em 4,3%, alta de 0,2 ponto percentual em relação a junho de 2025.
Segundo o Bradesco, o aumento da inadimplência foi influenciado por operações de capital de giro com garantia, que possuem dinâmica específica de recuperação. A instituição destacou que o impacto nas micro, pequenas e médias empresas foi de 0,4 ponto percentual.
Bancos avaliam resultado do Bradesco
Em análise, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para as ações do Bradesco, com preço-alvo de R$ 22, dizendo que o resultado ficou próximo das estimativas, com destaque para o crescimento da carteira de crédito e a melhora da rentabilidade.
Entretanto, apontou que a deterioração da qualidade dos ativos continua como um ponto de atenção, principalmente pelo avanço da inadimplência em PMEs.
Já o UBS BB reiterou recomendação de compra para o banco, com preço-alvo de R$ 25, e destacou a melhora sequencial da rentabilidade e do patrimônio tangível. Segundo a instituição, a margem financeira com clientes cresceu 3,6% no trimestre, apoiada pelo aumento dos spreads e do volume médio de crédito.
Assim como o BTG, o UBS também chamou atenção para a alta da inadimplência e a redução do índice de cobertura, mas avaliou que as provisões continuam cobrindo a maior parte da formação de créditos problemáticos.
Crédito cresce e carteira supera R$ 1,1 trilhão
A carteira de crédito ampliada do Bradesco encerrou junho em R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em 12 meses e alta de 4,3% frente ao primeiro trimestre. O segmento de pessoas físicas somou R$ 479,7 bilhões, avanço anual de 8,4%. Entre os destaques estiveram:
- crédito consignado: R$ 108,6 bilhões, alta anual de 9,3%;
- cartões de crédito: R$ 84,4 bilhões, crescimento de 10,6%;
- crédito pessoal: R$ 70,2 bilhões, queda de 2,3%.
Na carteira de empresas, o saldo chegou a R$ 656,9 bilhões, aumento de 14,1% em 12 meses. O crédito para pequenas e médias empresas avançou 16,1% no período, para R$ 267,5 bilhões. Já as operações para grandes empresas cresceram 12,7%, alcançando R$ 389,4 bilhões.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,3% no segundo trimestre, ante 4,2% no primeiro trimestre e 4,1% um ano antes. Entre pessoas físicas, o indicador subiu para 5,5%, contra 5,1% em junho de 2025.
Nas micro, pequenas e médias empresas, a inadimplência terminou o período em 4,4%, ante 4,3% um ano antes e 4% no primeiro trimestre. Já a carteira de grandes empresas apresentou inadimplência de 0,2%, mantendo o mesmo nível do trimestre anterior.
Pelas regras contábeis do IFRS 9, que classificam os empréstimos conforme o risco de perda, a carteira em estágio 3, formada por operações com maior dificuldade de recuperação, somou R$ 60,17 bilhões. O valor corresponde a 7,2% da carteira total, abaixo dos 7,9% registrados um ano antes.
O índice de cobertura, que mede quanto as provisões do banco conseguem compensar possíveis perdas com créditos inadimplentes, caiu para 152,3%, contra 177,8% no segundo trimestre de 2025. A carteira reestruturada, que inclui renegociações como alongamento de prazo e redução de juros, encerrou o trimestre em R$ 25,7 bilhões, queda de 14,6% em 12 meses.
Resultados financeiros
A margem financeira bruta do Bradesco, que representa a diferença entre as receitas obtidas com operações financeiras e os custos relacionados à captação de recursos, alcançou R$ 20,8 bilhões no trimestre, crescimento anual de 15,7%.
Já a margem financeira líquida, que considera as despesas com provisões para perdas de crédito, chegou a R$ 10,88 bilhões, alta de 9,9% em 12 meses.
A margem com clientes — resultado obtido pelo banco nas operações de crédito, investimentos e produtos oferecidos aos clientes — somou R$ 20,2 bilhões, avanço de 13,8% na comparação anual. A margem com clientes líquida atingiu R$ 10,2 bilhões, crescimento de 6,2%.
Nas operações de tesouraria, que envolvem negociações com ativos financeiros e gestão de recursos próprios, a margem com mercado subiu para R$ 673 milhões, contra R$ 288 milhões no segundo trimestre de 2025.
O banco afirmou que o desempenho refletiu oportunidades em operações com derivativos e produtos estruturados, além do aumento do volume de crédito e dos spreads, diferença entre a taxa cobrada nos empréstimos e o custo de captação.
As despesas operacionais do Bradesco somaram R$ 16,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2025.
As despesas com pessoal avançaram 5,4%, para R$ 7,2 bilhões, enquanto os gastos administrativos cresceram 4,6%, para R$ 5,9 bilhões. Segundo o banco, o aumento das despesas está relacionado a investimentos em tecnologia e ao avanço da provisão para participação nos resultados.
O índice de eficiência operacional ficou em 46,5% — mede quanto o banco precisa gastar para gerar receita.
No trimestre, o Bradesco encerrou 1.119 pontos de atendimento, terminando junho com 4.107 unidades. O número de agências caiu para 1.844, após o fechamento de 324 unidades.
Bradesco mantém projeções para 2026
O banco manteve suas projeções para 2026. A expectativa é de crescimento entre 8,5% e 10,5% na carteira de crédito ampliada, enquanto as receitas de prestação de serviços devem avançar entre 3% e 5%.
Para as despesas operacionais, a previsão permanece de alta entre 6% e 8%. A margem financeira líquida deve ficar entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões no ano.











