As ações do grupo Fleury (FLRY3) lideram o Ibovespa nesta sexta-feira (7) desde o início do pregão, em alta de 10%, após registrar um lucro líquido de R$ 221,8 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 45,7% em relação aos R$ 152,3 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Ainda segundo o balanço trimestral divulgado nesta quinta-feira (6), a margem líquida, que representa a parcela da receita que se transforma em lucro após as despesas, passou de 7,5% para 9,6%.
Segundo a diretora-presidente do Fleury, Jeane Tsutsui, o resultado foi impulsionado pelo desempenho operacional da companhia, com crescimento da receita e controle de custos. “Não é só o crescimento de receita, mas também a disciplina que a gente tem nos custos, expandindo margem.”
No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido da empresa chegou a R$ 423,1 milhões, crescimento de 27,6% na comparação anual. A margem líquida passou de 8,2% para 9,3%, alta de 111 pontos-base.
Citi e Santander veem resultado acima do esperado
Para o Citi, o Fleury apresentou resultado acima das estimativas no segundo trimestre, com desempenho operacional e geração de caixa que podem influenciar a avaliação das ações. A recomendação neutra para as ações foi mantida, com preço-alvo de R$ 16.
Segundo o banco, o Ebitda ficou 4% acima da projeção, enquanto a receita bruta superou a estimativa em 4%. O desempenho veio de receitas acima do esperado nas três verticais de negócios, com destaque para o segmento B2C e novas frentes de negócios.
A margem bruta em caixa ficou ligeiramente acima da estimativa. De acordo com o Citi, a maior alavancagem operacional, com diluição das despesas com pessoal, foi compensada por custos maiores com serviços e materiais médicos.
O Santander também avaliou o resultado como acima de suas estimativas, citando menores despesas de depreciação e amortização e melhor resultado financeiro.
A geração de caixa e o nível de alavancagem da companhia foram destacados. Ao mesmo tempo, considera que as ações apresentam valuation elevado em relação a outras empresas do setor de saúde.
Segundo o banco, o Fleury negocia a cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2027, enquanto o dividend yield estimado é de aproximadamente 7%. A recomendação neutra para as ações foi mantida, com preço-alvo de R$ 15,80.
Resultados financeiros da Fleury
A receita líquida do Fleury somou R$ 2,3 bilhões entre abril e junho, alta de 14,4% em relação ao segundo trimestre de 2025. No primeiro semestre, a receita líquida chegou a R$ 4,5 bilhões, crescimento de 12,4%.
A receita bruta foi de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, avanço de 14,4% ante os R$ 2,2 bilhões registrados um ano antes. Nos seis primeiros meses de 2026, a receita bruta somou R$ 4,9 bilhões, alta de 12,3%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 612,9 milhões no segundo trimestre. O resultado representa crescimento de 15,2% em relação aos R$ 532,1 milhões registrados no mesmo período de 2025. A margem Ebitda, que mede a participação do Ebitda na receita, ficou em 26,5%, ante 26,3% um ano antes, avanço de 18 pontos-base.
No primeiro semestre, o Ebitda foi de R$ 1,218 bilhão, alta de 12,9%. A margem Ebitda ficou em 26,9%, avanço de 12 pontos-base.
A dívida líquida do Fleury somava R$ 2,422 bilhões ao final de junho de 2026, alta de 4,4% em relação aos R$ 2,320 bilhões registrados um ano antes. A alavancagem financeira, relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 1,1 vez, mesmo nível registrado um ano antes.
Questionado sobre os efeitos do ciclo de redução da Selic sobre a companhia, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores do Fleury, José Antonio Filippo, afirmou que o nível de endividamento está de acordo com a estrutura de capital da empresa.
Fleury anuncia R$ 217,8 milhões em JCP
O conselho de administração do Fleury aprovou a distribuição de R$ 217,848 milhões em juros sobre capital próprio. O valor corresponde a R$ 0,4 por ação.
Terão direito aos JCP os acionistas posicionados nas ações do Fleury em 11 de agosto de 2026. A partir de 12 de agosto, os papéis passam a ser negociados na condição “ex-JCP”, ou seja, sem direito ao provento anunciado. O pagamento está previsto para 2 de outubro de 2026.











