O e-commerce brasileiro registrou 743.638 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. O volume equivale a uma ocorrência a cada 21 segundos e representa mais de 4 mil investidas por dia.
De acordo com o levantamento, quase 1 em cada 100 pedidos analisados apresentou indícios de fraude. Se as operações identificadas não tivessem sido barradas, o prejuízo potencial para empresas e consumidores poderia chegar a R$ 573,2 milhões.
“Os números revelam uma pressão diária e contínua sobre as operações digitais. Em apenas seis meses, foram centenas de milhares de investidas com potencial para causar perdas superiores a meio bilhão de reais”, afirma Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian.
Segundo o executivo, a prevenção precisa ser tratada como uma estratégia permanente ao longo da jornada de compra, e não apenas como uma etapa pontual da transação.
Beleza lidera tentativas de fraude no e-commerce
A categoria de Beleza concentrou o maior número de tentativas, com 67.782 ocorrências no primeiro semestre, equivalente a 23,8% do total.
Na sequência apareceram Calçados, com 56.193 tentativas, e Saúde, com 35.314. Juntos, os três segmentos concentraram 159.289 ocorrências, ou 56% de todas as tentativas de fraude identificadas no comércio eletrônico no período.
O ranking mudou em relação ao primeiro semestre de 2025. No ano passado, Eletrodomésticos estava entre as três categorias mais afetadas, enquanto Saúde ocupava a sétima posição.
Medicamentos e produtos de saúde entram no radar
Segundo Sanchez, a mudança pode estar relacionada ao aumento da procura por produtos ligados à saúde, autocuidado e bem-estar.
O executivo cita como exemplo itens de maior demanda e ticket médio, como medicamentos para perda de peso. Os dados, porém, não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o crescimento da categoria e esses produtos.
“Fraudadores acompanham tendências e buscam oportunidades em segmentos com maior urgência de compra ou produtos de valor elevado”, afirma Sanchez. Para a Serasa Experian, a mudança no ranking mostra que o risco de fraude pode migrar rapidamente entre categorias conforme os hábitos de consumo se alteram.
Segundo a Serasa, o prejuízo potencial identificado pelo levantamento não representa apenas o valor das compras que poderiam ter sido fraudadas. Fraudes bem-sucedidas também podem gerar custos relacionados a contestações de pagamentos, processos operacionais, atendimento ao consumidor e danos à reputação das empresas.











