Na última semana, a China intensificou as compras de soja dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou três negociações, que somaram 978 mil toneladas de soja, para a safra americana 2026/27, cuja colheita começa em setembro.
As compras fazem parte do acordo comercial firmado entre os dois países, que prevê a aquisição de 20 milhões a 25 milhões de toneladas de soja americana até o final do ano. Segundo fontes da indústria chinesa, outras 6 milhões de toneladas já teriam sido negociadas para o início do novo ano comercial americano, em 1º de setembro.
O movimento ocorre em um momento de queda das cotações futuras da soja negociadas na Bolsa de Chicago. Com a redução dos preços, a soja norte-americana passou a oferecer condições mais competitivas em relação ao produto brasileiro.
A mudança acontece enquanto o Brasil se aproxima do fim do ciclo de exportação da safra 2025/26. Dessa forma, a antecipação das compras nos EUA pode representar uma decisão baseada em custos e disponibilidade, sem necessariamente indicar uma mudança definitiva na origem do produto.
Para Bruno Medeiros Durão, advogado tributarista e presidente do escritório Durão, Almeida e Pontes – Advogados Associados, preço, logística e disponibilidade têm peso enorme na decisão do comprador de commodities.
“Se a soja americana passa a oferecer uma condição mais vantajosa em determinado período, é natural que o importador chinês aproveite essa janela”, explica.
Brasil ainda lidera fornecimento de soja para a China
Apesar do aumento das compras nos EUA, o Brasil continua como principal fornecedor de soja para a China em 2026. Dados mostram que a China já adquiriu cerca de 102 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26. Desse total, 78% — quase 80 milhões de toneladas — têm origem brasileira.
No primeiro bimestre, as importações chinesas de soja brasileira cresceram 82,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 6,56 milhões de toneladas. A China também já comprou 9,04 milhões de toneladas da próxima safra brasileira, 2026/27.
Para o ciclo entre setembro de 2025 e agosto de 2026, projeções de mercado apontam para embarques de aproximadamente 85 milhões de toneladas de soja brasileira para a China, alta de 6 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Entretanto, segundo Durão, a preocupação para o produtor brasileiro está no possível efeito da diversificação chinesa sobre os preços recebidos pela soja nacional. Ele afirma que, se parte da demanda chinesa passar a ser direcionada aos EUA em um período de grande oferta no Brasil, o poder de negociação do exportador nacional pode ser reduzido.
Esse cenário pode afetar principalmente os chamados prêmios de exportação, que são ajustes aplicados ao preço da commodity em relação à cotação de referência internacional. No caso da soja brasileira, esses prêmios refletem fatores como oferta, demanda, logística e disponibilidade nos portos.
Para o advogado tributarista, “ainda é cedo para falar em uma mudança definitiva de fornecedor. O que temos é uma movimentação que merece acompanhamento.” Segundo ele, o desempenho da produção americana e o ritmo das compras chinesas serão determinantes para definir o cenário competitivo no segundo semestre.











