A Embraer (EMBJ3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,113 bilhão, alta de 25,1% na comparação anual. O resultado exclui R$ 29,4 milhões em itens extraordinários relacionados aos resultados da Eve. Sem o ajuste, o lucro líquido foi de R$ 1,084 bilhão.
Segundo a companhia, o avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho operacional e pela redução das despesas financeiras líquidas. O resultado foi parcialmente compensado pelo aumento dos impostos no período.
O Ebitda ajustado, indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, chegou a R$ 1,514 bilhão, crescimento de 30,3% na comparação anual. A receita líquida avançou 10,4%, para R$ 11,335 bilhões, recorde da Embraer para um segundo trimestre.
As ações da Embraer operam em alta de 6,68%, a R$ 98,70. No início do pregão, os papéis chegaram a entrar em leilão devido à oscilação máxima permitida, após subirem mais de 9,40%.
Carteira de pedidos da Embraer batem recorde
A carteira de pedidos da Embraer atingiu US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, o maior nível da história da companhia e 16% acima do registrado um ano antes.
A carteira de Defesa & Segurança cresceu 42%, enquanto a de Aviação Comercial avançou 15%. Em Serviços & Suporte, a alta foi de 12%, e na Aviação Executiva, de 5%. O desempenho amplia a visibilidade de receitas futuras da fabricante, já que a carteira representa pedidos contratados que ainda serão entregues.
Já em relação à receita de cada segmento, a divisão de Defesa & Segurança registrou receita de R$ 1,544 bilhão, alta de 22% em um ano. O crescimento refletiu principalmente o maior reconhecimento de receitas relacionadas ao programa KC-390.
Na Aviação Executiva, a receita aumentou 19%, para R$ 3,677 bilhões. O resultado foi beneficiado pelo maior volume de entregas e por um mix de produtos mais favorável. A Embraer entregou 45 jatos executivos no trimestre, contra 38 um ano antes.
Em Serviços & Suporte, a receita cresceu 11%, para R$ 2,854 bilhões, com aumento dos volumes nos diferentes segmentos atendidos pela unidade.
Já a Aviação Comercial teve receita de R$ 3,183 bilhões, queda de 2%. A valorização do real frente ao dólar mais do que compensou o aumento no número de aeronaves entregues, que passou de 19 para 20. Ao todo, a Embraer entregou 65 aeronaves no segundo trimestre, ante 61 no mesmo período de 2025. Foram 20 jatos comerciais e 45 executivos.
Investimentos da Embraer somam R$ 760,6 milhões
A Embraer, sem considerar a Eve, investiu R$ 609,2 milhões no trimestre, alta de 5,7% em relação aos R$ 576,5 milhões aplicados um ano antes. O capex, que corresponde aos investimentos em ativos e capacidade produtiva, somou R$ 213,5 milhões, ante R$ 299,9 milhões no segundo trimestre de 2025.
As despesas com pesquisa, por outro lado, mais que quadruplicaram, passando de R$ 40,2 milhões para R$ 184,9 milhões. A companhia também destinou R$ 90,7 milhões a adições líquidas ao programa de peças de reposição e R$ 120,1 milhões a ativos intangíveis.
A Eve investiu outros R$ 151,4 milhões no período. Com isso, os investimentos consolidados da Embraer e da Eve chegaram a R$ 760,6 milhões, queda de 8,2% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Embraer vê impacto menor de tarifas
Durante teleconferência com analistas, o CFO da Embraer, Felipe Santana Santiago de Lima, afirmou que a companhia não espera mais impactos diretos relevantes de tarifas daqui para frente.
A fabricante, porém, continua exposta aos efeitos indiretos das tarifas, principalmente na área de Serviços & Suporte. O impacto estimado pela empresa é de aproximadamente US$ 12 milhões.
O executivo também explicou que a companhia reconheceu um crédito tributário extraordinário no trimestre, relacionado principalmente a estornos de tarifas que haviam afetado os resultados anteriormente. Parte dos recursos ainda será recebida em caixa, embora o efeito já tenha sido reconhecido integralmente na margem Ebit.
Segundo o CFO, uma melhora adicional de US$ 4 milhões incorporada às estimativas para 2026 está relacionada a iniciativas de eficiência nas quatro unidades de negócios. Os ganhos estão ligados principalmente ao nivelamento da produção e têm caráter recorrente, de acordo com a companhia.
Eve mira operação comercial de eVTOL até 2028
A Eve, empresa controlada pela Embraer e dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs, pode iniciar operações comerciais no Brasil e nos Estados Unidos até o fim de 2028.
A expectativa foi apresentada pelo presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, durante a teleconferência sobre os resultados. A companhia espera obter a certificação da aeronave também até o fim de 2028. A Eve já realizou mais de 60 voos verticais e concluiu sua primeira transição parcial para o voo horizontal.
No Brasil, a produção será concentrada em Taubaté (SP). A fábrica terá capacidade máxima próxima de 480 aeronaves por ano. A Eve possui cerca de 3 mil cartas de intenção de compra, além de alguns pedidos firmes.
Gomes Neto afirmou que a empresa pode ter papel relevante na expansão da Embraer a partir do fim da década. “Estamos muito confiantes com relação à contribuição da Eve com o crescimento da Embraer, principalmente em 2029 e 2030, para complementar a nossa estratégia de crescimento no início da próxima década”, afirmou o executivo.
A evolução do projeto dependerá de marcos técnicos, incluindo a conclusão da transição completa entre voo vertical e horizontal e a capacidade de realizar a reversão do voo horizontal para o vertical.











