O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 7,1 bilhões em crédito para o Plano Safra 2026/27, apenas oito dias após a abertura do protocolo para recebimento de propostas. O montante contempla 29,1 mil operações e sinaliza o ritmo de contratação de recursos para custeio e investimentos no agro.
Do total aprovado, R$ 6,8 bilhões correspondem aos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) e R$ 351 milhões ao BNDES Crédito Rural, linha própria da instituição.
A maior parcela foi direcionada às modalidades de investimento em instalações, máquinas e outras finalidades, que somaram R$ 5,2 bilhões em 16,9 mil operações. Já as linhas de custeio, utilizadas para financiar despesas relacionadas à produção, alcançaram R$ 1,9 bilhão em 12,2 mil operações.
O recorte por perfil de beneficiário mostra que R$ 4,2 bilhões foram aprovados para agricultores familiares, pequenos e médios produtores rurais e cooperativas. Ao todo, os recursos alcançaram aproximadamente 2 mil municípios.
Bancos cooperativos concentram 72% dos recursos
O BNDES distribui os financiamentos por meio de instituições financeiras credenciadas, em vez de realizar diretamente todas as operações com os produtores. Atualmente, mais de 20 linhas do Plano Safra 2026/27 e do BNDES Crédito Rural são oferecidas por essa rede de agentes.
Os bancos cooperativos e as cooperativas de crédito responderam por cerca de 72% dos recursos aprovados, equivalentes a R$ 4,9 bilhões. Essas instituições concentraram 27,1 mil operações, correspondentes a 94% do total.
A estrutura descentralizada permite que o crédito seja distribuído por diferentes regiões do país e amplia a capilaridade da política pública de financiamento do agronegócio.
Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a estratégia é fazer com que o crédito alcance diferentes necessidades e perfis de produtores.
“O BNDES atua para que o crédito rural chegue a quem precisa e em todas as suas frentes: capital de giro, investimento, aquisição de máquinas e equipamentos. São recursos que atendem tanto à agricultura empresarial quanto à familiar, e que chegam a todos os estados do país por meio da nossa rede de agentes financeiros parceiros, presente em mais de 94% do território nacional.”
BNDES terá R$ 72 bilhões para investimentos na agricultura
Para o Plano Safra 2026/27, válido de 16 de julho de 2026 a 30 de junho de 2027, o BNDES colocou à disposição R$ 72 bilhões para investimentos na agricultura brasileira. Na safra anterior, o volume disponibilizado foi de R$ 70 bilhões.
Desse montante, R$ 40,5 bilhões são recursos equalizáveis. Na prática, são linhas dos Programas Agropecuários do Governo Federal que contam com condições previamente estabelecidas de prazo, taxas de juros e orçamento.
Entre os principais programas estão o Pronaf, voltado à agricultura familiar; o Pronamp, destinado a médios produtores; o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA); e o Moderfrota, direcionado à modernização da frota de tratores agrícolas, implementos associados e colheitadeiras.
Na divisão por segmento, o BNDES informa que houve redução das taxas na maioria dos programas. R$ 21,5 bilhões serão destinados a médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com juros entre 8% e 12,5% ao ano. Para a agricultura familiar, estão previstos R$ 18,9 bilhões, com taxas entre 0,5% e 7,5% ao ano.
No segmento empresarial, os recursos serão distribuídos por nove programas, entre eles Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA.
Recursos para agricultura familiar sobem 41%
A agricultura familiar terá acesso a diferentes modalidades do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O BNDES destinou R$ 18,9 bilhões ao Pronaf no Plano Safra 2026/27, valor 41% superior aos R$ 13,4 bilhões previstos na safra 2025/26.
Também foi estabelecida uma reserva de R$ 646,9 milhões para agricultores familiares das regiões Norte e Nordeste, exclusivamente para produtores dessas localidades durante o período.
BNDES Crédito Rural terá orçamento de R$ 31,5 bilhões
Além dos recursos vinculados aos Programas Agropecuários do Governo Federal, o BNDES mantém linhas próprias e permanentes de financiamento para o setor agropecuário. Esses recursos são não equalizáveis junto ao Tesouro Nacional, ou seja, não dependem desse mecanismo de equalização de juros.
O BNDES Crédito Rural terá R$ 31,5 bilhões disponíveis nos próximos 12 meses, acima dos R$ 30,3 bilhões da safra anterior.
A modalidade pode financiar projetos de investimento, aquisição de máquinas, custeio e apoio a cooperativas. Também contempla operações envolvendo Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) e Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) lastreados em direitos creditórios do agronegócio.











