Após registrar um lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 95,8% em relação ao ano anterior, as ações da Hapvida (HAPV3) despencam quase 25% às 12h50 nesta quinta-feira (13).
A receita líquida da companhia alcançou R$ 7,973 bilhões, alta anual de 3,9%. O EBITDA ajustado (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 504,4 milhões no trimestre, queda de 44,3% na comparação anual.
A companhia registrou prejuízo líquido contábil de R$ 217 milhões no segundo trimestre. A sinistralidade — receita destinada ao pagamento de despesas relacionadas à utilização dos planos de saúde — ficou em 75,2%, alta anual de 1,3 ponto percentual.
Já a dívida líquida da Hapvida terminou o segundo trimestre em R$ 5,4 bilhões, alta de 34,4% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses ficou em 1,61 vez, ante 0,95 vez um ano antes.
No fim do semestre, a companhia registrou 15,9 milhões de beneficiários, alta de 0,5% na comparação anual. Do total, 8,67 milhões estavam em planos de saúde e 7,29 milhões em planos odontológicos. O ticket médio foi de R$ 305,90 no trimestre, alta de 5,7% em um ano.
O que dizem Citi e BTG sobre a Hapvida?
Segundo os analistas do Citi, durante a teleconferência de resultados realizada hoje, a administração indicou que a judicialização, processo no qual clientes recorrem à Justiça para obter coberturas ou tratamentos, está acima de níveis considerados sustentáveis pela companhia.
A gestão também passou a priorizar a rentabilidade em relação ao crescimento da base de beneficiários. Nesse contexto, a companhia avalia reajustar ou encerrar contratos corporativos considerados subprecificados, ou seja, com preços abaixo dos custos necessários para manter a operação.
Já para o BTG Pactual, a alta da sinistralidade, o aumento das despesas corporativas e comerciais e o crescimento das despesas de contingência relacionadas à judicialização pressionaram o EBITDA, que ficou 30% abaixo da estimativa do banco e representou o menor resultado da linha em cinco anos.
Para o banco, os resultados do segundo trimestre vieram abaixo das expectativas, destacando os efeitos da utilização dos planos, da judicialização, de contratos com condições econômicas desfavoráveis e do aumento do endividamento.
Apesar das mudanças promovidas pela nova gestão, os analistas avaliam que os efeitos positivos da estratégia podem levar tempo para aparecer.
O BTG mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 15, enquanto o Citi também manteve recomendação neutra, com classificação de alto risco e preço-alvo de R$ 11.











