As ações da 3tentos (TTEN3) operam entre as maiores quedas da Bolsa, caindo 11,04% nesta sexta-feira (14) após a companhia divulgar seu balanço do segundo trimestre. No período, o lucro líquido ajustado recuou 86,3%, para R$ 14,4 milhões.
Segundo o CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, o segmento Indústria — que reúne as operações de processamento de soja e milho, produção de biodiesel e, mais recentemente, etanol de milho — foi o principal fator de pressão sobre o resultado.
O Ebitda ajustado com hedge caiu 64,3%, para R$ 78,7 milhões. A margem Ebitda recuou de 6,2% para 1,7%. Na direção oposta, a receita operacional líquida cresceu 31,9%, para R$ 4,70 bilhões.
Indústria concentra pressão sobre margens
A receita da operação industrial cresceu 4,7%, para R$ 2,01 bilhões, mas a rentabilidade foi afetada pela queda nos preços do farelo de soja e do biodiesel. No segundo trimestre, o preço do farelo caiu 12%, enquanto o biodiesel recuou 3% na comparação anual.
A companhia também enfrentou atrasos na entrada em operação de projetos que deveriam aumentar sua capacidade de processamento.
A planta de etanol de milho no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, começou a operar apenas nos últimos dias de junho. As ampliações das unidades de esmagamento de soja e biodiesel também começaram a funcionar mais tarde do que o planejado.
Segundo Dumoncel, parte dos custos dessas expansões já estava sendo registrada antes que as novas capacidades gerassem receita em escala.
A manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15%, em vez dos 16% esperados pelo setor, também pressionou os resultados. A 3tentos havia ampliado sua capacidade considerando uma demanda maior pelo biocombustível.
Grãos crescem, mas têm margem menor
Fora da indústria, a receita de Insumos cresceu 24,6%, para R$ 487,3 milhões. Já a comercialização de Grãos avançou 76%, para R$ 2,20 bilhões. O crescimento de Grãos, porém, também foi influenciado pelos atrasos industriais.
Como a companhia processou menos soja e milho do que havia planejado, uma parcela maior dos produtos comprados dos agricultores foi vendida diretamente, em vez de ser transformada em farelo, óleo e biodiesel.
Com isso, os Grãos passaram a representar cerca de 47% da receita trimestral, ante aproximadamente 30% em condições habituais. A comercialização de grãos possui margem menor do que o processamento industrial e a venda de insumos, o que reduziu a margem média da companhia.
3tentos (TTEN3) espera recuperação das margens no 2º semestre
A companhia projeta melhora das margens industriais no segundo semestre, com o fim do período de safra e uma relação mais equilibrada entre oferta e demanda. A recuperação, porém, não deve compensar integralmente a pressão provocada pela manutenção da mistura de biodiesel em 15%.
Segundo Dumoncel, a saída do período de safra deve favorecer o equilíbrio do mercado, mas o atraso do B16 continuará limitando a recuperação.
O executivo acrescentou que margens muito comprimidas no setor de biodiesel podem, ao longo do tempo, resultar em recomposição de preços ou redução da oferta.
Produtor reduz antecipação de compras de insumos
A 3tentos também afirmou que os produtores rurais estão mais cautelosos na compra antecipada de fertilizantes, em meio à volatilidade de preços provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo a companhia, o movimento foi mais perceptível no Centro-Oeste, onde produtores normalmente antecipam parte das compras.
Dumoncel afirmou que o comportamento atual não reproduz o cenário observado em 2022, quando houve formação de estoques elevados diante do temor de desabastecimento. A receita de Insumos da 3tentos cresceu 24,6% no segundo trimestre, para R$ 487,3 milhões.
Citi vê alavancagem como sinal de alerta para TTEN3
O Citi classificou os resultados como mais fracos do que o esperado e destacou a pressão sobre as margens da Indústria, os atrasos na maturação das novas plantas, despesas mais elevadas e o aumento da alavancagem.
A dívida líquida da 3tentos (TTEN3) subiu para R$ 3,58 bilhões, levando a relação entre dívida líquida e Ebitda para 3,05 vezes, ante 1,39 vez no segundo trimestre de 2025.
O banco chamou de “sinal de alerta” o fato de a companhia ter obtido um waiver, uma autorização especial dos credores, para não cumprir determinadas cláusulas contratuais relacionadas à alavancagem nos próximos trimestres.
Na avaliação do Citi, o movimento indica que a redução da alavancagem pode não ocorrer no ritmo inicialmente esperado. O banco também destacou que a 3tentos revisou suas projeções operacionais para 2026 e aprovou um programa de recompra de até 5 milhões de ações ordinárias.
Para o Itaú BBA, a fraqueza também se dá principalmente pela rentabilidade abaixo do esperado no segmento industrial, mas avaliou que parte relevante dessa pressão pode ser temporária.
O banco manteve recomendação de compra para a ação, equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 20 para 2026.











