Agosto caminha para a maior saída mensal de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira. De acordo com dados da Elos Ayta, foram retirados R$ 15,63 bilhões até o dia 13, superando os R$ 13,28 bilhões registrados em maio.
Como o mês ainda não acabou, o valor não representa o resultado final. Porém, indica aumento da incerteza diante da aproximação das eleições, do cenário fiscal e da percepção de maior risco sobre os ativos brasileiros.
Segundo a consultoria, 2026 passa a concentrar os dois maiores saldos negativos mensais da série histórica, que começou em janeiro de 2022 (confira abaixo).

Dados da B3 e reportagens, entretanto, apontam para a maior queda desde março de 2020 (R$ 24,2 bilhões), período marcado pela pandemia da Covid-19.
Bolsa caminha para a 10ª queda consecutiva
Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o mercado brasileiro entra oficialmente na campanha eleitoral sob forte aumento da percepção de risco, fator que conduz o Ibovespa para sua décima queda consecutiva.
Ele explica que o Citi retirou o real de sua cesta de carry trade, enquanto o JPMorgan reduziu sua recomendação para o Brasil e cortou sua projeção para a Bolsa no fim do ano, citando volatilidade eleitoral, juros reais elevados, desaceleração econômica e questões fiscais.
Na tarde desta segunda-feira (17), o principal índice do Brasil recua 0,08%, aos 166.800 pontos, às 14h (horário de Brasília).
Cenário externo
No exterior, os investidores acompanham a guerra entre Estados Unidos e Irã e os impactos sobre o petróleo. O Brent terminou sexta-feira (14) em alta de 1,67%, a US$ 88,52 por barril, acumulando valorização de 5,95% na semana. O WTI subiu 1,42%, para US$ 82,40.
O principal ponto de atenção permanece sendo o Estreito de Ormuz. A restrição das operações mantém o chamado prêmio geopolítico, parcela adicional incorporada aos preços dos ativos em razão do risco de conflitos e possíveis interrupções no fornecimento.
Esses fatores pressionam a inflação global e contribuem com a aversão ao risco no mercado, aumentando a retirada dos investidores estrangeiros do Brasil, segundo Mollo.











