O mercado amanhece nesta terça-feira (25) de olho no cenário geopolítico e nas negociações entre Paquistão, Irã e Estados Unidos — que seguem ameaçando impor novas sanções a Teerã. Os olhares, no entanto, devem desviar o foco nos próximos dias em meio à agenda econômica cheia.
Entre quarta (26) e sexta-feira (28), dados de inflação no Brasil (IPCA-15) e nos Estados Unidos (PCE) e o Simpósio de Jackson Hole (o primeiro com a presença de Kevin Warsh) estarão nos holofotes.
Nesta segunda, o chamado “Dia D Econômico” não gerou o efeito esperado pelo mercado, após a coletiva do secretário do Tesouro, Scott Bessent, discursar durante a tarde. Apesar disso, ao longo do discurso, Bessent elevou a pressão sobre países e instituições parceiros do Irã e prometeu grandes sanções ainda nesta semana.
Em segundo plano, o cenário geopolítico ganhará hoje mais um componente na “guerra das tarifas”. O Canadá deve anunciar nesta terça-feira medidas de retaliação contra os Estados Unidos após o fracasso nas negociações da última sexta-feira (21), que culminou em nova taxa de 50% sobre produtos canadenses.
No Brasil, o tarifaço também segue no radar, mas com um cenário mais promissor. Após Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversarem na última semana, a possibilidade de uma rodada de negociações aumentou, no entanto, ainda não há uma data estipulada para uma nova conversa.
Enquanto isso, o governo brasileiro confirmou nesta segunda que o salário mínimo de 2027 será de R$ 1.741. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente Lula para tratar sobre o projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano. O valor representa uma alta de R$ 120 ante o salário de 2026 e também valerá para benefícios sociais.
Manchetes desta manhã
- Braskem impulsiona dívidas em recuperação extrajudicial para o valor recorde de R$ 174,5 bi (Valor Econômico)
- ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes (Valor Econômico)
- Investigação da PF sobre Lulinha indica 3 tentativas frustradas de fechar contrato no Ministério da Saúde (Folha de S.Paulo)
- Lula evita estados em que mais de um candidato disputa apoio para reduzir atritos na campanha (O Globo)
- EUA preparam maior revogação de vistos da história, que pode atingir até 200 mil pessoas (Estadão)
Mercado global
As bolsas da Europa operam em alta, sustentadas pelo forte recuo do petróleo após relatos de que os EUA teriam proposto suspender o bloqueio e as sanções ao Irã em troca da reabertura do Estreito de Ormuz e do fim dos ataques de aliados de Teerã. A sinalização veio um dia após Washington anunciar novas sanções contra o país.
Na Ásia, os principais índices encerraram a sessão sem direção única, em meio à cautela dos investidores com ações de tecnologia antes do balanço da Nvidia, com expectativa de receita trimestral próxima a US$ 92 bilhões.
No cenário externo, a queda do petróleo trouxe algum alívio aos mercados ao reduzir as preocupações com os riscos geopolíticos relacionados ao conflito com o Irã.
Em Nova York, os índices futuros dos EUA operam em alta nesta terça-feira (25), antes da divulgação dos resultados da Nvidia e do índice de preços PCE, previstos para esta quarta-feira.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,46%
- FTSE 100: +0,05%
- CAC 40: +0,23%
- Nikkei 225: +0,50%
- Shanghai SE Comp: -0,35%
- Hang Seng: -0,02%
- Ouro (jun): -0,16%, a US$ por 4.689,51 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,03%, aos 99,02 pontos
- Bitcoin: -0,20% a US$ 78.986,70
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros registram forte queda, diante de sinais de possível distensão entre EUA e Irã. Relatos apontam que Washington teria oferecido suspender o bloqueio e as sanções contra Teerã em troca da reabertura do Estreito de Ormuz e do fim dos ataques de aliados iranianos.
O Brent/outubro cai 2,85%, cotado a US$ 93,06, e o WTI/outubro cede 3,03%, a US$ 82,43. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,28% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,1 por tonelada.
Cenário internacional
Nos próximos dias, o mercado norte-americano ficará atento aos dados de atividade e inflação. Nos Estados Unidos, a agenda inclui a confiança do consumidor, medida pelo Conference Board, e os números de vendas de moradias novas de julho.
O Fed também volta ao centro das atenções com discursos de Thomas Barkin, dirigente do banco central americano. O presidente da instituição, Kevin Warsh, deve discursar em Jackson Hole na sexta-feira, às 11h (horário de Brasília).
A Nvidia, que divulga balanço nesta quarta-feira, caiu 2,91% após informações sobre reajustes de até 15% nos preços de servidores, associados ao aumento dos custos de chips de memória. O movimento também atingiu Seagate, Sandisk, Micron e Super Micro Computer.
Cenário no Brasil
Com a agenda doméstica esvaziada desde a última semana, as divulgações foram novamente prejudicadas após a Receita Federal adiar os dados sobre a arrecadação de julho.
Apesar de a Receita não confirmar uma nova data, as expectativas giram em torno de uma arrecadação de R$ 284,6 bilhões, segundo a mediana do Broadcast. As receitas de Imposto de Importação e relacionadas ao petróleo estão entre os fatores apontados para sustentar a alta do resultado.
O mercado acompanha ainda a situação da Braskem (BRKM5), que pretende reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas por meio de recuperação extrajudicial. A companhia também negocia com a Petrobras a ampliação de uma linha de crédito comercial de R$ 2,35 bilhões para aquisição de matérias-primas.
Destaques no cenário corporativo
- Hapvida (HAPV3): avalia reajustar ou descontinuar, nos próximos 12 meses, contratos coletivos considerados defasados, que abrangem cerca de 947 mil beneficiários. A Squadra reduziu sua participação na companhia de 5,1% para 3,87%.
- Oncoclínicas (ONCO3): CVM julga nesta terça-feira eventual obrigatoriedade de OPA da companhia, em operação avaliada em R$ 6,5 bilhões.
- Fleury (FLRY3): J.P. Morgan adquiriu cerca de 27,4 milhões de ações ordinárias e passou a deter 5,01% do capital.
- Viveo (VVEO3): B3 deu prazo até 8 de fevereiro de 2027 para que as ações voltem a ser negociadas acima de R$ 1. Caso isso não ocorra, a companhia poderá avaliar um grupamento de ações.
- Arandu Investimentos (ARND3): definiu preço de R$ 0,67 por ação para a OPA, com pagamento à vista.
- Energia: Aneel negou pedidos de revisão tarifária extraordinária apresentados por seis distribuidoras, incluindo Neoenergia, Light e Copel, por perdas relacionadas à pandemia.












