O mercado brasileiro de crédito imobiliário deve encerrar 2026 com cerca de R$ 411 bilhões em concessões, alta de 25% em relação ao ano passado. A projeção é da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que revisou para cima sua estimativa após o desempenho do setor no primeiro semestre.
No final de julho, a Abecip revelou em coletiva de imprensa que, entre janeiro e junho, as concessões de crédito imobiliário somaram R$ 180,9 bilhões, crescimento de 23% na comparação anual. O resultado levou a entidade a elevar sua expectativa para o ano.
Apesar da expansão esperada, a Abecip mantém os juros elevados como um dos principais fatores de atenção para o mercado imobiliário. Segundo a associação, emprego e renda continuam sustentando a demanda por imóveis.
SBPE deve crescer 18%
Entre as principais fontes de recursos para o financiamento habitacional está o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que reúne recursos direcionados à habitação, principalmente provenientes da poupança. A Abecip estima que as concessões com recursos do SBPE cheguem a R$ 185 bilhões em 2026, alta de 18% sobre 2025.
No primeiro semestre, foram concedidos R$ 93,7 bilhões nessa modalidade, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas os financiamentos para aquisição de imóveis avançaram 12% no período.
FGTS e Fundo Social ampliam recursos
A expansão também deve ser sustentada pelo aumento dos recursos destinados ao crédito habitacional por meio do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal. A Abecip projeta aproximadamente R$ 195 bilhões em concessões provenientes dessas fontes em 2026, avanço de 38% na comparação anual.
“O primeiro semestre mostrou que a demanda por financiamento imobiliário continua consistente, mesmo em um ambiente de juros elevados. O desempenho do SBPE e a ampliação dos recursos destinados à habitação nos permitiram revisar as nossas estimativas”, afirmou Michel Cury, presidente da Abecip.
Recursos livres devem ficar estáveis
Já os financiamentos imobiliários concedidos com recursos livres, ou seja, aqueles que não estão sujeitos às mesmas regras de direcionamento dos recursos da poupança e do FGTS, devem permanecer próximos ao nível de 2025.
A estimativa da Abecip é de aproximadamente R$ 31 bilhões em concessões nessa modalidade ao longo de 2026. Com isso, a composição projetada para o mercado neste ano fica concentrada em três fontes principais:
- SBPE: R$ 185 bilhões, alta de 18%;
- FGTS e Fundo Social: R$ 195 bilhões, alta de 38%;
- Recursos livres: cerca de R$ 31 bilhões, estabilidade ante 2025.











