A equipe de análise do BTG Pactual revisou para cima as projeções para a Panvel (PNVL3), citando a evolução dos resultados, o crescimento em diferentes categorias de produtos, como os medicamentos GLP-1 (as canetas emagrecedoras) e o aumento da participação digital da companhia.
O banco elevou em cerca de 11% a projeção de lucro líquido da Panvel em relação às estimativas anteriores e manteve a recomendação de compra para os papéis. O preço-alvo para o fim de 2027 foi mantido em R$ 19 por ação, um prêmio superior a 40% em relação ao fechamento de R$ 13,24 desta segunda-feira (21).
Expansão e canetas emagrecedoras ganham peso na tese para Panvel
A equipe do BTG incorporou à análise a expectativa de aproximadamente 45 novas lojas por ano a partir de 2027. Com 98% de suas lojas no Sul, a Panvel atingiu 13,5% de participação do setor na região no segundo trimestre de 2026, alta de 1 ponto percentual na comparação anual.
Entre os demais fatores citados estão o crescimento de genéricos e produtos de higiene pessoal e cosméticos, ganhos de escala e uma política de distribuição de capital com maior impacto sobre a margem líquida.
Nas estimativas do BTG, a receita da Panvel deve passar de R$ 5,512 bilhões em 2025 para R$ 6,334 bilhões em 2026 e R$ 7,150 bilhões em 2027. O lucro líquido projetado é de R$ 185 milhões em 2026 e R$ 238 milhões em 2027.
Os medicamentos GLP-1 aparecem como outro elemento central da análise do BTG Pactual. O banco estima que o mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 para obesidade e diabetes possa superar R$ 16 bilhões em 2026. Na avaliação da equipe, a categoria pode responder por aproximadamente um quarto do crescimento do varejo farmacêutico neste ano.
Para a Panvel, o BTG estima crescimento de aproximadamente 91% na receita líquida de GLP-1 no primeiro semestre de 2026. Para o ano, a projeção é de crescimento superior a 60%, levando a categoria a representar perto de 12% da receita líquida da companhia.
A análise prevê ainda crescimento de dois dígitos para a receita de GLP-1 nos anos seguintes. O BTG projeta que a margem bruta desses produtos avance com ganhos de escala, maior concorrência entre fornecedores e melhores condições de compra.
BTG vê redução dos riscos do guidance
A tese do BTG Pactual considera como um dos principais pontos de atenção o cumprimento das metas de longo prazo apresentadas pela Panvel no Investor Day realizado no início de 2026.
A companhia estabeleceu como objetivos para 2030 uma receita bruta entre R$ 11,5 bilhões e R$ 12 bilhões, margem EBITDA entre 6,7% e 7% e uma rede entre 950 e 1.000 lojas. O EBITDA é uma medida utilizada para acompanhar a geração de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Segundo o BTG, a Panvel começou a reduzir os riscos relacionados a essas metas ao apresentar crescimento acima das estimativas e expansão de margens. Por outro lado, o banco destaca que o ritmo de abertura de lojas ainda precisa acelerar.
No primeiro semestre de 2026, foram abertas 12 unidades, abaixo do ritmo necessário para alcançar a meta de longo prazo. A equipe do BTG, porém, projeta aceleração das inaugurações a partir de 2027.
Margem EBITDA deve avançar com ganho de escala
A análise aponta que a margem bruta da Panvel recuou cerca de 30 pontos-base no primeiro semestre de 2026. Segundo o BTG, o movimento está relacionado principalmente à maior participação dos medicamentos GLP-1, que apresentam margem menor.
A companhia compensou parte desse efeito com a redução relativa dos custos de vendas, gerais e administrativos. Com isso, a margem EBITDA pré-IFRS 16 avançou 40 pontos-base.
A equipe do BTG estima que a Panvel encerre 2026 com margem de 5,9%, alta de 50 pontos-base. Para 2030, a projeção é de 6,5%, ainda 20 pontos-base abaixo do piso do guidance da companhia.
O banco também cita iniciativas de eficiência, precificação baseada em inteligência artificial, gestão de estoques e compras como fatores que podem contribuir para a evolução das margens. Em um projeto-piloto de precificação por IA, a Panvel registrou aumento de 27% nas vendas dos produtos selecionados, segundo o relatório.
Para os próximos três anos, o BTG elevou em 4,7% a projeção de EBITDA pré-IFRS 16 e em 11% a estimativa de lucro líquido pré-IFRS 16.











