Com a popularização dos medicamentos da classe GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, usados em tratamentos para controle do peso e outras condições, novos canais de distribuição têm surgido no Brasil: os benefícios corporativos.
A mudança foi destacada pelo BTG Pactual em relatório sobre o mercado de medicamentos para emagrecimento. O banco observa que a expansão ocorre ao mesmo tempo em que a concorrência reduz preços e novos modelos de subsídio diminuem o valor pago diretamente pelo consumidor. Além disso, 63% dos adultos estão acima do peso, o que dimensiona o público potencial para esse mercado.
Um dos exemplos citados é a Vidalink, empresa que oferece benefícios de medicamentos a funcionários de mais de 200 companhias. Segundo dados divulgados pela empresa e citados pelo Valor Econômico, foram intermediadas 26.988 compras de medicamentos para perda de peso entre janeiro e julho de 2026.
O volume representa cerca de 80% das 33.889 compras realizadas durante todo o ano de 2025.
Compras recorrentes indicam continuidade dos tratamentos
A evolução do número de transações também ajuda a mostrar a dimensão da mudança. Foram 21.882 compras em 2024, contra 33.889 em 2025, crescimento de 55%. No segundo semestre de 2023, foram registradas 11.220 compras.
A Vidalink informa ainda uma taxa de recompra de 70%. O indicador mostra a proporção de clientes que voltam a realizar compras e, no caso dos medicamentos GLP-1, sugere que parte relevante das transações está relacionada à continuidade dos tratamentos, e não apenas à primeira aquisição.
De acordo com o BTG, houve aceleração após a chegada do Mounjaro ao mercado brasileiro, em maio de 2025.
No modelo de benefício corporativo, a empresa define quais categorias de medicamentos terão subsídio e estabelece um limite mensal. O funcionário paga a eventual diferença entre o valor subsidiado e o preço da compra. As compras que recebem subsídio, no entanto, precisam de prescrição médica válida, auditada antes da aprovação.
Empresas passam a participar do acesso às canetas emagrecedoras
O movimento muda a lógica tradicional de distribuição desses medicamentos. Em vez de depender exclusivamente da compra em farmácias ou de programas de desconto dos próprios fabricantes, o consumidor pode utilizar parte de um benefício oferecido pela empresa onde trabalha.
No caso da Vidalink, o acesso ocorre por meio de uma rede de mais de 25 mil farmácias credenciadas, além de canais de reembolso e plataformas digitais. O BTG avalia que esse modelo pode ampliar o mercado à medida que reduz o desembolso necessário para o consumidor.
Os principais tratamentos com GLP-1 ainda custam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por mês, segundo o relatório. O preço aparece como uma das principais barreiras à expansão do mercado brasileiro.
Outro fator citado pelo BTG é a mudança no ambiente competitivo. A patente da semaglutida expirou em março de 2026, abrindo espaço para a entrada de novos fabricantes. Na sequência, a EMS lançou o Ozivy, inicialmente com preço em torno de R$ 452 por caneta.
A análise também aponta a entrada de outros concorrentes nacionais e uma reação dos fabricantes já presentes na categoria, com programas de preços mais agressivos. Segundo o BTG, a combinação entre redução de preços e subsídios corporativos pode fazer com que mais consumidores tenham acesso aos medicamentos.
Novo canal reduz duas barreiras do mercado
O BTG identifica dois pontos que podem determinar a expansão do mercado de GLP-1 no Brasil: acessibilidade e persistência do tratamento. A primeira está ligada ao preço e ao valor efetivamente desembolsado pelo paciente. A segunda diz respeito à continuidade das compras ao longo do tratamento.
Os dados da Vidalink colocados no relatório ajudam a conectar os dois fatores. A entrada dos medicamentos em benefícios corporativos reduz parte do desembolso do funcionário, enquanto a taxa de recompra de 70% aponta para o uso recorrente dos produtos.
Com isso, o mercado de GLP-1 passa a depender não apenas de novos medicamentos e da concorrência entre fabricantes, mas também de novos canais de acesso.
Para o BTG Pactual, a combinação desses fatores pode ampliar o mercado endereçável, expressão usada para definir o conjunto de consumidores que podem potencialmente adquirir determinado produto ou serviço.











