O mercado brasileiro de fusões e aquisições, conhecido como M&A, movimentou R$ 166,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 3% em relação ao valor registrado no ano anterior, segundo levantamento da TTR Data.
Na mesma comparação, porém, o número de transações caiu 35%, para 593 operações, entre negócios anunciados e concluídos.
Para Daniel Lasse, CEO da Value Capital, o movimento mostra uma mudança no perfil das negociações. “O primeiro semestre não mostra um mercado parado. Aponta para um ambiente de negócios que passou a escolher melhor onde colocar capital”.
Segundo ele, quando o número de operações diminui enquanto o valor movimentado aumenta, compradores tendem a concentrar recursos em ativos que apresentam escala, posição competitiva ou possibilidade de gerar sinergias.
Entre os setores analisados pelo estudo, Internet, Software & IT Services registraram o maior número de transações no primeiro semestre, com 104 negócios.
O movimento mostra que o interesse por tecnologia está relacionado não apenas ao setor em si, mas à possibilidade de as empresas adquiridas contribuírem para ganhos de produtividade, acesso a novos mercados, propriedade intelectual e transformação de negócios.
Private equity movimenta R$ 33,1 bilhões
O Private Equity foi um dos segmentos que mais aumentaram o volume financeiro movimentado no primeiro semestre. Foram 41 operações, que totalizaram R$ 33,1 bilhões, alta de 105% em relação ao mesmo período de 2025.
No Venture Capital, empresas com potencial de crescimento, como startups, foram 106 rodadas de investimento, com R$ 6,4 bilhões aplicados, crescimento de 3%.
Já as aquisições de ativos somaram 151 transações e R$ 22,9 bilhões, com queda de 11% no número de operações.
Estados Unidos lideram compradores estrangeiros
Os Estados Unidos foram o principal país de origem dos compradores estrangeiros de empresas brasileiras no primeiro semestre, com 64 operações. No movimento inverso, empresas brasileiras realizaram oito aquisições nos EUA e quatro no México.
As operações estrangeiras no segmento de Tecnologia e Internet cresceram 1% no período. Já os investimentos de fundos estrangeiros de Private Equity — investimentos realizados por fundos em empresas — e Venture Capital em empresas brasileiras avançaram 16%.
M&A deve continuar seletivo no segundo semestre
Para o CEO da Value Capital, o segundo semestre pode ser mais ativo para M&A justamente porque algumas condições começam a destravar, mas as operações que avançarem serão aquelas em que comprador e vendedor conseguem encontrar uma equação econômica que faça sentido para os dois lados.
O ambiente macroeconômico também deve influenciar as negociações no segundo semestre. O Banco Central (BC) reduziu a Selic para 14% ao ano em agosto. A taxa havia iniciado 2026 em 15% ao ano e passou por cortes graduais durante o primeiro semestre.
Apesar da redução dos juros, o BC destacou a necessidade de cautela diante das expectativas de inflação ainda acima da meta. Além dos juros, as eleições de 2026 entram no radar das companhias e dos investidores.











