A suspensão da importação de carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos do Brasil para a União Europeia pode gerar perdas de até US$ 2 bilhões por ano para os exportadores brasileiros.
Segundo a Agência Brasil, a decisão atinge os 27 países do bloco e decorre da avaliação de que o sistema brasileiro de rastreabilidade e controle do uso de antimicrobianos na produção animal é insuficiente, não de contaminação ou irregularidade sanitária nos lotes.
Somente a carne bovina respondeu por US$ 1,7 bilhão em exportações para a UE em 2025, ano em que o Brasil foi o segundo maior fornecedor desse produto ao bloco, com mais de 92 mil toneladas. O mercado europeu é especialmente relevante porque paga preços mais altos por cortes de maior valor agregado, como os de qualidade premium.
Com o bloqueio, frigoríficos habilitados perdem temporariamente um destino de alta margem, o que deve pressionar os preços no mercado interno e em outros importadores.
A medida foi precedida, em maio de 2026, pela inclusão do Brasil em lista da UE de países não conformes às regras sobre uso de antibióticos em animais. O bloco europeu endureceu as exigências após a assinatura do acordo de livre-comércio entre UE e Mercosul, em janeiro de 2026, em meio a críticas de agricultores e do governo francês, que apontavam risco de concorrência desleal.
Agro encara suspensão de carnes e demais exportações como protecionista
Representantes do agronegócio brasileiro classificam a suspensão como protecionista, já que Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para o bloco.
Para tentar reverter a situação, o governo brasileiro proibiu o uso de determinados antimicrobianos, criou novas regras de controle e elaborou protocolo de rastreabilidade do animal do nascimento ao abate. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) afirma que todas as suas associadas habilitadas aderiram ao protocolo privado do setor. A UE, porém, rejeitou a proposta de período de transição apresentada pelo Brasil.
Uma auditoria europeia nas cadeias de frango e mel termina nesta sexta-feira (4), e a análise dos resultados pode levar cerca de dois meses. Como o ciclo de produção do frango é curto, de aproximadamente 45 dias, as exportações dessa proteína podem ser retomadas ainda em 2026, caso o Brasil atenda às exigências.
Já a carne bovina depende de um ciclo de criação de 24 a 36 meses, o que posterga a adaptação da cadeia por anos e prolonga o impacto financeiro sobre produtores e frigoríficos.
O mel, cujas exportações para a UE dobraram no primeiro semestre de 2026, alcançando US$ 6,3 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), também está no centro das discussões. A auditoria em andamento avaliará se as alterações brasileiras são suficientes para restabelecer a confiança do bloco. Enquanto isso, exportadores buscam alternativas em mercados como Ásia e Oriente Médio para mitigar as perdas.











