Os mercados globais operam sem direção única nesta sexta-feira (4), na expectativa pelos dados do payroll de agosto nos Estados Unidos. Um resultado acima das projeções para o mercado de trabalho pode fortalecer as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta sexta-feira (4), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Na véspera do payroll, Christopher Waller, diretor do Fed, voltou a mexer com as expectativas para os juros americanos ao defender mais cautela na política monetária. O dirigente afirmou que o Fed deveria dar uma “chance à desinflação” e avaliou que o custo de esperar mais uma reunião antes de alterar as taxas é baixo.
Waller condicionou sua posição aos próximos dados de inflação: se a trajetória de desaceleração dos preços continuar em agosto, ele tende a apoiar a manutenção dos juros; caso a inflação volte a acelerar, porém, admite defender uma alta. A sinalização reabriu a incerteza sobre a decisão de setembro.
A fala também devolveu parte do movimento provocado por Kevin Warsh em Jackson Hole. A probabilidade de uma alta de 25 pontos-base em setembro, que havia superado 63% na quarta-feira, recuou para 50,2%, praticamente empatada com os 49,8% de chance de manutenção.
A expectativa do mercado é de criação de 56 mil postos de trabalho em agosto, após a forte queda de 23 mil vagas registrada no mês anterior. Para a taxa de desemprego, o consenso aponta 4,1%. Segundo especialistas, um dado mais robusto daria ao Fed maior respaldo para elevar a taxa.
No mercado internacional, o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, propôs, por meio do Norges Bank Investment Management (NBIM), uma redução significativa da exposição a títulos públicos. A instituição quer diminuir de 70% para 50% a participação desse subíndice em uma carteira de US$ 2,3 trilhões.
Pela proposta, a fatia de Treasurys cairia de 34,1% para 21,9%, enquanto os títulos da zona do euro passariam de 16,8% para 14,1%. Em sentido oposto, a participação dos papéis japoneses subiria de 4,6% para 7,4%. O movimento busca ampliar a diversificação e os retornos da carteira diante da preocupação de que o elevado endividamento público e as tensões geopolíticas possam manter a inflação estruturalmente pressionada.
Brasil: Datafolha reforça disputa acirrada pela Presidência
No Brasil, o destaque fica para a pesquisa Datafolha, divulgada após o fechamento dos mercados, que confirmou o acirramento da disputa presidencial. Em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro. No levantamento anterior, os números eram de 47% e 43%, respectivamente.
No primeiro turno, o Datafolha mostrou Lula com 38% e Flávio com 33%. Augusto Cury (Avante) avançou de 2% para 8% e assumiu a terceira posição isolada, movimento também identificado pela Futura, que apontou 9,9% para o candidato.
A rejeição dos dois principais candidatos permanece elevada e próxima: 47% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio, enquanto 45% afirmam o mesmo em relação a Lula.
A avaliação do governo também se deteriorou na margem. A parcela que considera a gestão ruim ou péssima passou de 41% para 42%, enquanto a avaliação ótima ou boa recuou de 33% para 31%. Ao todo, 51% dizem desaprovar o governo. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de setembro e, portanto, captou parcialmente os efeitos da crise no STF.
O resultado veio na esteira de outros levantamentos divulgados no mesmo dia. À tarde, a Futura apontou Lula com 45,6% e Flávio com 45,2%. Mais cedo, o PoderData/Aya registrou, pela primeira vez, Flávio numericamente à frente, com 45%, contra 44% de Lula.
Em entrevista ao Broadcast, a Eurasia mantém em 60% a estimativa de probabilidade de vitória de Lula. Christopher Garman, porém, afirmou que a primeira semana de campanha efetiva foi favorável a Flávio, citando a melhora do posicionamento do candidato associada ao tempo de televisão e à mensagem adotada na campanha.
Manchetes desta manhã
- Empréstimos caros via fintechs explodem na Argentina em meio a inadimplência recorde (Valor)
- Caixa anuncia Pix parcelado no aplicativo com prazo de até 12 meses (Folha)
- Fachin tira do inquérito das fake news investigação de Mendonça pedida por Moraes (Estadão)
- ‘Acabou o oxigênio’: bancos travam rolagem de dívida e deixam empresas no sufoco (O Globo)
Mercado global opera misto à espera do payroll
Em Nova York, os índices futuros abriram com desempenho misto, antes da divulgação do payroll de agosto. O mercado espera a criação de 56 mil vagas e desemprego em 4,1%, dados que podem influenciar as apostas para os próximos passos do Fed.
As bolsas europeias também operam mistas, em meio à cautela antes do payroll dos EUA. No noticiário corporativo, as ações da Volkswagen avançam 5,88%, após a montadora aprovar um amplo plano de reestruturação que prevê o corte de 50 mil postos de trabalho e um acordo para evitar novos conflitos com sindicatos e o Estado da Baixa Saxônia.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana majoritariamente em alta, com investidores reduzindo apostas de alta de juros, após comentários de Christopher Waller reduzirem as apostas em uma alta de juros pelo Fed em setembro. No Japão, o iene ganhou força com a expectativa de maior aperto monetário pelo BoJ.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,09%
- FTSE 100: -0,05%
- CAC 40: -0,13%
- Nikkei 225: +1,3%
- Shanghai SE Comp: -0,3%
- Hang Seng: +1,74%
- Ouro (jun): -2,31%, a US$ por 4.434,40 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,33%, aos 99,33 pontos
- Bitcoin: +1,42% a US$ 79.776
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em queda, com o Brent perto de US$ 95 por barril. Apesar do recuo, a commodity caminha para a maior alta semanal desde meados de julho, impulsionada pela retomada das ofensivas militares no Oriente Médio e com incertezas sobre o fornecimento global.
O Brent/novembro recua 0,70%, cotado a US$ 94,86 e o WTI/outubro cai 0,99%, a US$ 90,40. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,04% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,24/ton.
Cenário internacional: sanções ao Irã ampliam tensão nos mercados de energia
Na agenda do dia, além do payroll, os investidores acompanham a divulgação, às 14h, do número de poços e plataformas de petróleo e gás em operação nos Estados Unidos, pela Baker Hughes.
No Oriente Médio, a pressão dos Estados Unidos sobre o Irã ganhou novo impulso com a adesão formal da União Europeia à campanha de sanções liderada pelos americanos, denominada “Operation Economic Outcast”. Paralelamente, a Coreia do Sul avalia uma participação militar para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz. A UE já mantinha sanções próprias contra os programas nuclear e de mísseis iranianos e contra o apoio militar de Teerã à Rússia.
Segundo fontes iranianas, as sanções secundárias vêm restringindo fortemente o acesso do país a dólares. A suspensão de negociações comerciais e financeiras pelos Emirados Árabes Unidos agravou a situação, deixando o regime iraniano, que durante décadas conseguiu contornar restrições, com menos alternativas para obter moeda estrangeira e adquirir bens.
A escalada geopolítica também aumenta a pressão sobre os mercados de energia. O diesel nos Estados Unidos atingiu nesta sexta-feira o recorde de US$ 5,85 por galão, ante US$ 3,71 há um ano, segundo a AAA (Associação Americana de Automóveis). O avanço ocorre em meio à menor produção russa de derivados, após ataques ucranianos contra refinarias do país, e aos impactos dos conflitos sobre o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, principal rota para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.
Brasil: balança comercial e tensão com a União Europeia
No Brasil, o principal indicador do dia é a balança comercial de agosto, com divulgação prevista para as 15h. O Broadcast projeta superávit de US$ 6,75 bilhões, abaixo dos US$ 7,06 bilhões registrados em julho. As estimativas variam de US$ 6,31 bilhões a US$ 7,9 bilhões.
Exportações de petróleo, soja e café devem contribuir positivamente para o resultado, enquanto as importações permanecem elevadas apesar da desaceleração da atividade. Para 2026, a mediana das projeções aponta superávit comercial de US$ 81,2 bilhões.
Na agenda das autoridades, na Basileia, o presidente do Banco Central tem reunião bilateral às 6h com Benoit Mojon, chefe de Análise Econômica do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
No campo comercial, o governo brasileiro elevou o tom contra a União Europeia após o país ficar fora da lista de nações autorizadas a exportar carnes e outros produtos de origem animal ao bloco. Desde ontem, novos embarques de carne bovina, frango, ovos, pescados e mel estão suspensos, afetando um mercado estimado em US$ 1,8 bilhão por ano.
A UE justifica a restrição com exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. O governo brasileiro afirma ter cumprido os requisitos e avalia que a medida pode ter caráter protecionista. Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores afirmaram que o veto elimina parte dos ganhos negociados no acordo Mercosul-UE e pode modificar o equilíbrio de concessões que viabilizou sua conclusão.
Brasília ainda prioriza uma solução negociada, mas sinalizou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade, aos mecanismos previstos no acordo Mercosul-UE e ao sistema multilateral de comércio. O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que “não há critério” para justificar a exclusão e disse que “tudo é possível” em relação a uma eventual retaliação, embora tenha reforçado que a negociação continua sendo a prioridade.
Destaques do mercado corporativo
- Samarco: foi condenada, junto com três ex-gerentes, pelo rompimento da barragem de Fundão, enquanto Vale e BHP foram absolvidas; a companhia recebeu multa superior a R$ 1,2 milhão e ficou proibida de contratar com o poder público por dez anos.
- Cemig: fará emissão de R$ 2 bilhões em debêntures, dividida em duas séries com vencimentos de dez e 12 anos, para reembolsar gastos, despesas e dívidas relacionados a um projeto da distribuidora.
- Minerva: esclareceu à CVM que as referências a alavancagem de 1,7 vez e geração de R$ 1 bilhão em caixa livre em 2026 não constituíam projeções ou guidance, mas foram apresentadas no contexto da estratégia de desalavancagem.
- BRB: governo do Distrito Federal acionou o STF para tentar obrigar a União a garantir empréstimo de R$ 6,6 bilhões para capitalizar o banco; a AGU contestou o pedido.
- Oi: Anatel autorizou, com condições, a venda da unidade de telefonia fixa para a Método por R$ 60,1 milhões, exigindo garantias financeiras e continuidade dos serviços essenciais.
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