O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu um novo pico em julho de 2026, chegando a 9,2 milhões de CNPJs negativados no mês, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
Ao todo, essas empresas acumulavam 67,2 milhões de dívidas, que somavam R$ 238,6 bilhões. Em média, cada negócio inadimplente tinha 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.983,88 por CNPJ. O chamado ticket médio, que representa o valor médio de cada pendência, ficou em R$ 3.551,59.
Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a inadimplência permanece elevada em um cenário de condições financeiras restritivas. “Ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras”, afirmou. Segundo ela, a expectativa de juros elevados por mais tempo influencia o custo de financiamento e a capacidade das empresas de renovar suas dívidas.
Ao mesmo tempo, a atividade econômica entra em uma trajetória de desaceleração, reduzindo o dinamismo das receitas. Para a economista, a combinação entre custo financeiro elevado e menor crescimento da receita dificulta a regularização dos passivos.
No ranking regional, o Sudeste concentrou o maior número de empresas inadimplentes em julho. São Paulo liderou o levantamento, com 3.147.102 CNPJs negativados, seguido por Minas Gerais, com 915.410, e Rio de Janeiro, com 870.189. Na sequência apareceram Paraná, com 607.497 empresas inadimplentes, e Rio Grande do Sul, com 533.041.
Micro e pequenas empresas concentram R$ 206 bilhões
As micro e pequenas empresas responderam pela maior parte da inadimplência empresarial no país. O grupo reunia 8,7 milhões de CNPJs negativados, equivalentes a 60,5 milhões de dívidas. O valor total dos débitos chegou a R$ 206 bilhões.
Em média, cada micro ou pequena empresa inadimplente acumulou 6,9 contas negativadas. A dívida média foi de R$ 23.574,33, enquanto o ticket médio ficou em R$ 3.403,77. Para Camila, o cenário combina inadimplência elevada com maior restrição ao crédito. Empresas menores já enfrentam mais dificuldades para obter financiamento, e o aumento dos atrasos pode levar credores a adotar critérios mais seletivos.
A menor disponibilidade de recursos pode dificultar o acesso a capital de giro, usado pelas empresas para financiar despesas e manter a operação enquanto aguardam o recebimento de receitas.
Serviços concentram maior número de empresas inadimplentes
Entre as empresas negativadas em julho, 55,8% pertenciam ao setor de Serviços. O Comércio respondeu por 32,1%, seguido pela Indústria, com 8%, e pelo setor Primário, com 1%.
Considerando a origem das dívidas, o setor de Serviços também apareceu na primeira posição, com 31,7% das pendências. Em seguida vieram Bancos/Cartões, com 19,7%; Cooperativas, com 8,5%; Utilities, com 6,9%; e Telefonia, com 6,2%.
As instituições financeiras, considerando Bancos/Cartões e Financeiras, concentraram 24,3% das dívidas inadimplidas. Isso significa que 75,7% das pendências estavam fora das instituições financeiras, incluindo compromissos relacionados à operação das empresas, como fornecedores e contas básicas.
De acordo com Camila, o dado indica que a dificuldade financeira não está restrita ao crédito bancário. Quando o fluxo de caixa fica mais apertado, a empresa pode atrasar diferentes tipos de obrigações simultaneamente.











