O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em São José do Rio Preto (SP), neste sábado (5), que o Brasil não deve depender da China nem dos Estados Unidos para desenvolver inteligência artificial e defendeu uma tecnologia “produzida em português”.
A declaração, durante comício com o candidato ao governo paulista Fernando Haddad e as candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet, reforça o plano de R$ 23 bilhões do governo para reduzir a participação externa no processamento de IA, mas também expõe os riscos de trocar uma dependência por outra.
Segundo o Valor Econômico, Lula vinculou a estratégia ao Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), aprovado no Senado em 1º de setembro, e disse que a medida pode atrair R$ 500 bilhões em investimentos em data centers. O presidente também condicionou a instalação de novos centros de processamento à produção da própria energia. A fala ocorre a menos de um mês do primeiro turno e acirra o discurso de soberania tecnológica na campanha.
Plano de R$ 23 bilhões e infraestrutura
O governo já tem projetos em andamento. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028, dos quais R$ 6,6 bilhões foram aplicados até meados de 2026, segundo a CartaCapital. A Agência Brasil detalha a construção de um supercomputador de R$ 1 bilhão em Natal (RN), com capacidade de 7.200 petaflops, e o desenvolvimento de um modelo de linguagem em português com investimento público de R$ 1,276 bilhão em cinco anos. Também estão previstos chips de arquitetura aberta RISC-V e uma nuvem brasileira.
Na infraestrutura, a CNN Brasil informa que o pacote de R$ 2,3 bilhões anunciado em 19 de agosto divide projetos entre a chinesa Huawei e a norte-americana Nvidia, esperada para vencer o edital do supercomputador. A parceria com a Huawei e a iFlytek no Rio de Janeiro prevê R$ 1,3 bilhão para supercomputação e transferência de tecnologia.
Dependência externa e riscos fiscais
O risco é manter a dependência. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, calcula que 60% do processamento de IA usado no Brasil ocorre no exterior, conforme a Agência Brasil.
Para Rodrigo Scotti, presidente da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria), em entrevista à CartaCapital, o país pode trocar a dependência norte-americana pela asiática se não exigir contrapartidas. “O problema não é comprar tecnologia de fora. O risco é comprar sem aprender nada”, disse. Joaquim Merino, executivo da Lenovo, acrescenta que soberania tecnológica exige dominar pessoas e aplicações, já que hardware leva décadas.
O Redata, detalhado pelo escritório Cescon Barrieu, suspende tributos federais sobre equipamentos de data centers por cinco anos, com renúncia estimada em R$ 5,2 bilhões em 2026. As contrapartidas incluem uso de energia renovável, eficiência hídrica e 2% dos recursos em pesquisa e desenvolvimento. Sem o marco legal da inteligência artificial, que aguarda votação na Câmara após as eleições, analistas avaliam que a soberania prometida ainda depende de regras claras de governança e responsabilidade.
Os próximos passos incluem a Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro, onde Lula disse que encontrará Trump para defender o Pix, e a sanção do Redata. A entrada em operação do supercomputador de Natal está prevista para o fim de 2026, enquanto o modelo de linguagem em português deve começar a funcionar em julho de 2027.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











