Uma blockchain utilizada por exchanges de criptomoedas para movimentar Bitcoin foi alvo de um ataque que provocou a retirada de cerca de 4 mil bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 320 milhões. O caso envolve uma carteira usada pela Liquid Network, rede voltada à liquidação de transações com o ativo digital.
Segundo informações da Bloomberg, a Liquid Network informou que possuía cerca de 4,2 mil bitcoins na carteira afetada. Após identificar o ataque, a operadora interrompeu novas transações enquanto integrantes da federação responsável pela rede trabalhavam para restabelecer as operações.
A empresa afirmou que os responsáveis pelo ataque hacker aparentavam ser hackers white hat, termo usado para identificar especialistas que exploram falhas de segurança com o objetivo de demonstrá-las ou corrigi-las. Em alguns casos, esses invasores devolvem os recursos após a vulnerabilidade ser solucionada.
Segundo Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital, os hackers teriam devolvido 3.400 bitcoins, mantendo cerca de US$ 47 milhões. A Liquid Network afirmou que os fundos foram retirados por meio da SideSwap, plataforma autorizada a processar transferências da rede. De acordo com a operadora, a chave utilizada pela plataforma não foi comprometida.
Nas horas seguintes à divulgação do ataque, mensagens atribuídas aos hackers e à Blockstream apareceram incorporadas a pequenas transações de Bitcoin, segundo dados do rastreador de blockchain Mempool. Nas mensagens, os invasores teriam indicado que devolveriam os fundos depois de confirmar que a vulnerabilidade havia sido corrigida.
Ataque hacker ocorre após outras invasões
O episódio ocorre em meio a uma sequência de ataques hackers contra empresas e estruturas relacionadas ao mercado de criptomoedas.
Na semana anterior, um invasor retirou US$ 6 milhões de uma plataforma de empréstimos de ativos digitais ligada à Crypto.com. Em agosto, um ataque contra a carteira offline de Bitcoin Coldcard também levantou discussões sobre os mecanismos utilizados para armazenar o ativo.
Para Ziqing Ang, chefe de política para a Ásia-Pacífico da TRM Labs, os episódios reforçam a necessidade de ampliar as medidas de proteção da infraestrutura utilizada pelo mercado de criptomoedas.
Aneirin Flynn, CEO da empresa de segurança cibernética FailSafe, afirmou que as evidências preliminares do caso da Liquid apontam para um bug que permitiria a emissão de L-BTC. A vulnerabilidade, segundo Flynn, se soma a outros episódios registrados neste ano e que expuseram falhas na infraestrutura utilizada para operações com criptomoedas.











