Na volta do feriado, os mercados retomam os negócios nesta terça-feira (8) sob forte pressão do petróleo, que se aproxima dos US$ 100 por barril após novos ataques dos rebeldes Houthis, do Iêmen, contra instalações de energia na Arábia Saudita, maior exportadora mundial da commodity. A escalada das tensões aumenta os temores sobre a oferta global e reacende os riscos de inflação.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta terça-feira (8), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Os Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atacaram nesta terça-feira quatro cidades no sul da Arábia Saudita, deixando mais de 70 pessoas feridas e provocando incêndios em instalações petrolíferas. Drones e mísseis foram usados contra uma base aérea saudita em Khamis Mushait e contra alvos da estatal de petróleo do país nas cidades de Abha, Najran, na fronteira com o Iêmen, e Jazan, importante porto no Mar Vermelho que abriga uma grande refinaria e uma usina de petróleo.
A ofensiva ocorre em meio à retomada das hostilidades no Iêmen. A Arábia Saudita lidera há mais de uma década uma coalizão árabe que combate os Houthis no país. O conflito havia perdido intensidade nos últimos anos, mas um cessar-fogo foi rompido, enquanto o grupo passou a ameaçar a navegação na entrada do Mar Vermelho.
Em comunicado publicado no X, o coronel Turki al-Malki, porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, afirmou que o grupo adotará “todas as medidas operacionais necessárias” para conter a milícia e responder à sua postura hostil.
Guerra entre EUA e Irã pode durar mais seis meses
O cenário geopolítico também ganhou um alerta do ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos Leon Panetta. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele avaliou que a guerra entre Washington e Teerã pode se prolongar por mais seis meses. Para ele, os dois países estão diante de um impasse difícil de romper, com poucas alternativas para encerrar o conflito.
“Não é mistério que os Estados Unidos e o Irã estão presos em um terrível impasse, em que há pouquíssimas opções disponíveis para encerrar esta guerra”, afirmou.
Segundo o ex-secretário, o conflito iniciado por Donald Trump há mais de seis meses corre o risco de se transformar em uma guerra prolongada no Oriente Médio. Na avaliação de Panetta, Trump não dispõe de uma saída clara para colocar fim às hostilidades. Uma possibilidade seria a manutenção do atual impasse, com ataques pontuais de ambos os lados, sem negociação ou rendição. Outra alternativa seria uma tentativa dos Estados Unidos de controlar o Estreito de Ormuz, que o ex-secretário considera a principal alavanca do Irã sobre o comércio global.
Brasil: Mercado acompanha novo capítulo da crise no STF
No ambiente doméstico, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganha um novo capítulo nesta terça-feira, após o ministro André Mendonça determinar o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Na mesma decisão, Mendonça também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
Segundo a decisão, a medida foi motivada pela produção de um relatório interno da Polícia Federal utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em uma reação a Mendonça.
Ao justificar o afastamento preventivo, Mendonça afirmou que a medida é necessária para permitir que a Corte, Messias e servidores da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.
O ministro também citou “a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes”. Segundo Mendonça, a situação “impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”.
Manchetes desta manhã
- Perfin e Equipav planejam vender fatia da EPR (Valor)
- Focus: Economistas sobem previsão do PIB pela primeira vez após dois meses (Folha)
- Governo estuda aumentar mistura do biodiesel para 25% (Estadão)
- Governo reserva R$ 1,6 bilhão em 2027 para ampliar teto de faturamento anual do MEI (O Globo)
Mercado global sob pressão com alta do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, pressionados pelo petróleo, com o Brent próximo de US$ 100 por barril. A alta da commodity reacende os temores de inflação e reduz o espaço para cortes de juros, elevando as apostas em uma política monetária mais restritiva.
As bolsas europeias também operam majoritariamente em terreno negativo, também pressionadas pela alta do petróleo, que reforça as preocupações com inflação e juros.
No mercado acionário, a Novartis recua 8,90% após a falha de um ensaio clínico de fase avançada de seu medicamento experimental para doenças musculares.
Na Ásia, a maioria dos mercados fechou em queda, após a forte alta da véspera, pressionadas pelo iene, que chegou a 152,89/US$, e pela valorização do petróleo, que reacende preocupações com inflação e juros globais.
O iene mais forte reduz posições de carry trade e amplia as apostas em aperto monetário pelo BoJ, além de pressionar exportadoras japonesas ao reduzir o valor dos lucros obtidos no exterior.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,31%
- FTSE 100: +0,06%
- CAC 40: +0,01%
- Nikkei 225: -1,7%
- Shanghai SE Comp: +0,20%
- Hang Seng: -0,38%
- Ouro (jun): -0,68%, a US$ por 4.446,35 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,01%, aos 98,91 pontos
- Bitcoin: -1,54% a US$ 78.385,4
Commodities
- Petróleo: os contrato futuros operam em forte alta, com o Brent próximo de US$ 100 por barril, diante da escalada das tensões no Oriente Médio após novas ofensivas militares no fim de semana. O Irã ameaça retaliar novos ataques dos EUA e alerta que a cadeia de energia do Golfo é “extensa, acessível e exposta”, incluindo empresas americanas de petróleo e gás na região.
O Brent/novembro avança 1,67%, cotado a US$ 98,62 e o o WTI/outubro sobe 2,77%, a US$ 94,01. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,36% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,94/ton.
Cenário internacional: Petróleo e novas sanções ampliam tensão geopolítica
No campo geopolítico, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) decidiu manter, em reunião realizada neste domingo (6), a política de produção para outubro, em meio ao conflito que afeta as exportações de petróleo do Irã pelo Estreito de Ormuz. Em agosto, o grupo já havia elevado a produção ao encerrar o corte de 1,65 milhão de barris por dia estabelecido em 2023.
No campo comercial, as tarifas retaliatórias impostas pelo Canadá sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos entraram em vigor nesta terça-feira, com alíquotas entre 15% e 50%, após fracasso em negociações. Ontem, Trump ameaçou impedir a fabricante de aeronaves Bombardier de vender seus aviões no mercado americano caso a companhia não passe a produzir em território dos EUA.
A pressão sobre o Irã também avançou no setor financeiro. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra um pequeno banco de investimentos turco e duas de suas subsidiárias, como parte da estratégia do governo Trump para ampliar o cerco econômico a Teerã.
Foram designados o Golden Global Yatirim Bankasi Anonim Sirketi, sediado em Istambul, a gestora de ativos Golden Global Portfoy Yonetimi Anonim Sirketi e a empresa de arrendamento de ativos Golden Global Varlik Kiralama Anonim Sirketi. Segundo o Tesouro americano, as três instituições facilitaram operações comerciais entre a China e a Força Qods, braço da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Brasil: Crise no STF se mistura à disputa eleitoral
No Brasil, o novo capítulo da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ocorre em meio à intensificação da corrida eleitoral. Pesquisas recentes apontam empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno.
Na pesquisa BTG/Nexus, Flávio aparece com 46% das intenções de voto, ante 45% de Lula, resultado que configura empate técnico. No primeiro turno, Lula registra 39% e Flávio Bolsonaro, 31%, na pesquisa espontânea. Na estimulada, o presidente aparece com 39%, enquanto Flávio alcança 35%.
O cenário também aparece no levantamento da Quaest divulgado nesta segunda-feira (7). Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem numericamente empatados, com 41% das intenções de voto cada.
Destaques do mercado corporativo
- Perfin e Equipav: planejam vender uma fatia da operadora de rodovias EPR para atrair um novo sócio, provavelmente minoritário.
- Viridis Mineração: teve financiamento de R$ 77,5 milhões aprovado pelo BNDES para a implantação de um CPTR (Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras).
- CM Hospitalar (Viveo): recebeu do BTG Pactual compromisso para subscrever o máximo possível das ações remanescentes do aumento de capital em andamento, respeitado o limite de participação de 19,9% do capital social e votante da companhia após a operação.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta terça-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
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