A combinação de três guerras simultâneas, eleições marcadas por pautas nacionalistas e pressões persistentes da inflação aumentam a incerteza global e tornam o ambiente de investimentos mais volátil, segundo análise do economista Hudson Bessa em coluna no site Valor Investe.
Segundo ele, o cenário exige que investidores brasileiros reavaliem seu apetite a risco e reconsiderem a exposição a ativos de maior oscilação. Na coluna, o economista destaca as três guerras em andamento, sendo que duas delas estão no Oriente Médio, região com histórico de conflitos:
- a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada há mais de quatro anos
- o confronto entre Israel e Hezbollah, aberto em outubro de 2023 após ataques do grupo contra o território israelense
- ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã, deflagrada no fim de fevereiro deste ano e que já dura seis meses
Além da geopolítica, o calendário eleitoral de 2026 em diversos países traz o avanço de partidos com bandeiras isolacionistas e nacionalistas radicais.
Nos Estados Unidos, o movimento MAGA defende barreiras protecionistas, menos cooperação internacional e enfraquecimento dos organismos multilaterais que sustentaram a paz e a prosperidade desde o pós-guerra. A polarização excessiva, afirma o economista, dificulta consensos em pautas nacionais e ameaça o desenvolvimento e a convivência pacífica entre as nações.
Dívidas, juros e inflação pressionam mercados
No campo econômico, Bessa ressalta o problema dos déficits fiscais e do custo das dívidas soberanas. Os juros pagos pelo governo dos EUA na rolagem de títulos de longo prazo oscilam em patamares não vistos desde a crise financeira de 2008, com investidores cobrando um prêmio maior diante do tamanho do déficit primário e das propostas para equacioná-lo.
A dívida privada das empresas de inteligência artificial também entra no radar: os altos investimentos (Capex) dessas companhias levantam dúvidas sobre a capacidade de gerar rentabilidade suficiente para cobri-los.
A inflação volta a pressionar tanto os Estados Unidos quanto a Europa, e os bancos centrais discutem a possibilidade de elevar as taxas de juros para conter o processo. Juros mais altos encarecem o capital para as empresas e tornam o ambiente econômico mais difícil. Nesse contexto, preços de ações e moedas reagem rapidamente a qualquer notícia, e a volatilidade se intensifica com investidores tentando antecipar perdas.
Oportunidades para perfis diferentes
Para Bessa, o momento combina riscos e oportunidades. Investidores com maior tolerância ao perigo podem ficar atentos a bons negócios, desde que conscientes de que nem tudo que reluz é ouro.
Já os mais conservadores devem considerar abrigo em taxas de juros mais altas para garantir retornos mais robustos. O essencial, conclui o economista, é conhecer o próprio perfil e se posicionar de acordo com ele.











