O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou na mira de investidores do setor imobiliário interessados nos galpões que a varejista ocupa, enquanto a companhia reestrutura R$ 17,3 bilhões em dívidas na recuperação judicial.
A combinação de escassez de ativos de qualidade e a recente experiência com a Americanas, cujos galpões devolvidos foram alugados em menos de seis meses, sustenta o apetite do mercado. Segundo o Valor Econômico, “não faltam empresas de olho nesses espaços”.
Entre os interessados está a Barzel. Após comprar imóveis do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e do Carrefour, a companhia declarou ter “quatro galpões no pipeline” e enxerga na crise da Casas Bahia uma possível janela de oportunidades, mostrou reportagem da Exame.
Um levantamento da consultoria JLL, divulgado pelo Times Brasil/CNBC, mostra que o Grupo Casas Bahia ocupa um pouco mais de 1 milhão de metros quadrados (m²) em 20 imóveis, aproximadamente 2,7% de todo o estoque nacional de galpões de alto padrão.
O que uma devolução faria com o mercado?
Os números ajudam a dimensionar o risco. Se a Casas Bahia devolvesse imediatamente todos os espaços, a vacância nacional subiria de 5,5% para 8,1%, e no Rio de Janeiro saltaria de 9,2% para 16,3%, quase dobrando o estoque vago.
Em um cenário de saída escalonada em 18 a 24 meses, cerca de 540 mil m² voltariam ao mercado de forma gradual, levando a vacância nacional a 6,8%. A maior concentração está em São Paulo (358 mil m²), seguida por Rio de Janeiro (220,5 mil m²) e Minas Gerais (127 mil m²).
A possibilidade de devolução não é apenas teórica. A varejista enfrenta dezenas de ações de despejo de lojas e galpões e teve aluguéis de agosto em aberto em dois imóveis do HSI Logística, em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), informou o site Metro Quadrado.
O movimento também impactaria diretamente os fundos imobiliários (FIIs), uma vez que, dos mais de 1 milhão de m² ocupados, 831,6 mil m² pertencem a FIIs — pelo menos dez fundos aparecem na lista de credores.
O Mauá Capital Logística tem cerca de 428 mil m² vinculados ao grupo, aproximadamente 75% da carteira imobiliária, com perda potencial de receita estimada em cerca de R$ 99 milhões por ano. Já o HSI Logística (HSLG11) tem exposição de 31% à varejista e é credor da companhia em R$ 4,5 milhões.
O que acompanhar agora
A recuperação judicial foi protocolada em 16 de agosto de 2026, após prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, fechamento de 298 lojas e corte de cerca de 3 mil postos de trabalho. O presidente Renato Rankin afirmou que a empresa pretende usar a recuperação judicial para captar linhas de crédito de curto prazo e viabilizar a monetização de ativos.
Os próximos capítulos envolvem a apresentação do plano de recuperação judicial aos credores, a negociação de financiamento DIP de cerca de R$ 1 bilhão e a definição sobre quais galpões manter, devolver ou renegociar.











