O mercado de trabalho brasileiro criou 1.134.033 empregos formais entre janeiro e agosto de 2026, uma queda de 25,2% na comparação anual, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O volume é o menor saldo para o período desde 2020, quando mais de 1 milhão de postos foram fechados em meio aos efeitos da pandemia de covid-19.
Na comparação mensal, foram abertos 165.827 postos de trabalho formais. O resultado foi o segundo menor para o mês desde o início da série histórica, em 2020, acima apenas de agosto de 2025. Os números divulgados nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Apesar disso, os números mensais ficaram acima da mediana de 93.486 vagas projetada pela pesquisa Projeções Broadcast. As estimativas dos economistas variavam de 55.789 a 169.980 postos.
Serviços lideram criação de vagas
Os cinco grandes setores da atividade econômica registraram saldo positivo em agosto. Serviços lideraram a criação de empregos formais, com 110.346 novos postos. Na sequência aparecem construção, com 20.848 vagas; indústria, com 16.613; comércio, com 16.565; e agropecuária, com 1.452.
Em julho, o saldo havia sido de 55.915 vagas, considerando os ajustes realizados na série.
Para Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, o resultado de agosto veio acima do esperado, mas a leitura da trajetória do mercado de trabalho exige considerar também o desempenho dos meses anteriores. “Apesar desse número acima do esperado, quando a gente pega a história do Caged no ano, ainda é de dados fracos no mercado de trabalho formal”, afirmou.
Segundo Ricciardi, a média móvel trimestral do saldo de vagas permanece abaixo de 100 mil postos na série com ajuste sazonal. A média móvel trimestral é usada para reduzir o efeito de oscilações pontuais e observar melhor a tendência dos dados.
Na avaliação do economista, os dados do Caged e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apontam para uma desaceleração do mercado de trabalho, mas sem uma queda abrupta no terceiro trimestre.
“A grande mensagem que as duas leituras de hoje passam é que o mercado de trabalho não mostra ter uma queda abrupta, pelo menos no terceiro trimestre, e tende a ter uma desaceleração gradual até o final do ano”, disse.
Entre os estados, São Paulo gerou mais empregos
Em agosto, 24 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo na geração de empregos formais. São Paulo liderou em números absolutos, com 42.533 novos postos. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 20.886, e Pernambuco, com 13.428.
Na outra ponta, Rio Grande do Sul registrou saldo negativo de 1.611 vagas, seguido por Rondônia, com menos 923 postos, e Espírito Santo, com menos 287.
Economistas veem desaceleração gradual
Ricciardi projeta taxa de desemprego de 5,2% no fim de 2026 e saldo de aproximadamente 900 mil vagas no Caged ao longo do ano. Para o economista do Banco Daycoval, o número ficaria abaixo do registrado em 2025, mas ainda indicaria geração líquida de empregos e alguma sustentação da atividade econômica.
Leonardo Costa, economista da ASA, também identificou melhora na margem da geração de empregos, refletida na média móvel trimestral. Segundo ele, porém, o ritmo permanece abaixo dos níveis registrados ao longo de 2024 e no início de 2025.
Na avaliação do economista, os dados continuam compatíveis com um cenário de desaceleração gradual do mercado de trabalho, em linha com a expectativa de um Produto Interno Bruto (PIB) próximo da estabilidade no terceiro trimestre.










