A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, ante os 5,6% registrados nos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (29). O resultado é o menor registrado para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
O movimento ocorre em meio à expansão do número de pessoas ocupadas. Entre junho e agosto, a população com algum tipo de trabalho, formal ou informal, chegou a 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado pela pesquisa.
Na comparação com o trimestre encerrado em maio, houve aumento de 0,8%, o equivalente à entrada de 774 mil pessoas no mercado de trabalho. A composição desse avanço, porém, mostra uma participação maior das ocupações informais na geração de vagas.
Rodolfo Margato, economista da XP, chama atenção para os resultados desagregados, que apontam um crescimento moderado da população ocupada. Na comparação interanual, o indicador cresceu 1%, levando o acumulado em 12 meses para um ganho de 1,1%.
Nesse contexto, o economista estima alta mensal de 0,1% em agosto, para 103,4 milhões, marcando a décima elevação consecutiva na margem, ainda que haja perda de tração.
Margato menciona ainda os setores de serviços domésticos, com aumento de 1,1% na margem, e indústria, com crescimento de 0,6%, como destaques positivos em agosto. Por outro lado, salienta o desempenho negativo da construção civil e do varejo, com quedas de 0,7% e 0,3%, respectivamente.
Desemprego recua na comparação anual
Enquanto a população ocupada avançou, o contingente de pessoas sem trabalho e em busca de uma vaga diminuiu. Entre junho e agosto, cerca de 5,8 milhões de brasileiros estavam nessa condição. O número representa uma redução de 4,6% em relação aos 6,1 milhões registrados no trimestre móvel de março a maio.
Na comparação com um ano antes, no trimestre encerrado em agosto de 2025, o mercado de trabalho tinha 6,1 milhões de pessoas desocupadas, enquanto a taxa de desemprego estava em 5,6%.
A taxa de 5,3% registrada agora, portanto, representa o menor nível de desocupação para um trimestre encerrado em agosto desde o início da Pnad Contínua.
Informalidade concentra maior parte das novas ocupações
Apesar da queda do desemprego, das 774 mil pessoas que passaram a fazer parte da população ocupada no trimestre, 528 mil não tinham carteira assinada ou CNPJ. O dado indica que a maior parcela do aumento da ocupação ocorreu entre trabalhadores inseridos em atividades sem vínculo formal de emprego ou sem registro empresarial.
Ao mesmo tempo, o número de empregados do setor privado com carteira assinada chegou a 39,5 milhões até agosto. Esse é o maior contingente registrado pela série histórica da Pnad Contínua.
Em relação ao trimestre encerrado em maio, houve acréscimo de 149 mil pessoas entre os trabalhadores formais do setor privado. O IBGE, no entanto, considera essa variação dentro da margem de estabilidade da pesquisa.
Rendimento médio também aumenta
O rendimento médio mensal de todos os trabalhos da população ocupada ficou em R$ 3.777 no trimestre até agosto.
O valor representa alta de 0,7% em relação aos R$ 3.752 registrados no trimestre encerrado em maio. Apesar da variação positiva, o IBGE classifica o resultado como dentro da margem de estabilidade da pesquisa.
Margato destaca nesse contexto que, pelo segundo mês consecutivo, houve crescimento das métricas reais de rendimento, ou seja, já ajustando pela inflação.
O especialista analisa ainda que no período de maio a junho, os rendimentos reais tiveram desempenho bastante fraco, “com quedas mais acentuadas do que o esperado, mas houve recuperação já na leitura de julho, e isso foi reforçado na abertura dos dados de agosto”.
Com base nesse cenário, o economista avalia que o mercado de trabalho continua apertado, com a taxa de desemprego abaixo do equilíbrio de longo prazo, da taxa natural de desemprego.
“Nesse ambiente, rendimentos reais continuam em trajetória altista, a despeito de uma oscilação negativa no fechamento do segundo trimestre deste ano. A renda continua crescendo acima da inflação, em que pesem alguns sinais mais claros de moderação e desaceleração no mercado de trabalho brasileiro”, conclui.
Perspectivas da XP para a taxa de desemprego em 2026
A XP Investimentos projeta a taxa de desemprego em 5,6% no final deste ano e em 6,5% no final de 2027, com ajuste sazonal.
A corretora avalia ainda que o mercado de trabalho continuará apertado e a massa de renda continuará subindo, mas a uma velocidade mais moderada — cenário compatível as projeções de crescimento do PIB, de 1,7% em 2026 e 1% em 2027.
Em suma, a XP estima que o mercado de trabalho ainda será um vetor positivo para a atividade doméstica geral, mas a contribuição tende a ser menor em comparação aos anos anteriores.










