Os mercados globais operam sem direção única nesta terça-feira (29), com os investidores monitorando a resposta dos Estados Unidos (EUA) à proposta de cessar-fogo apresentada pelo Irã e os desdobramentos do encontro de Donald Trump com executivos do setor de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a alta dos Treasuries e do petróleo mantém a pressão sobre os ativos ao reforçar as preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo nos EUA.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta terça-feira (29), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Representantes americanos e iranianos mantiveram ontem reuniões separadas com mediadores para discutir uma versão revisada da proposta de cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Washington deve apresentar nesta terça-feira sua resposta à proposta de Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz.
Segundo Araghchi, os mediadores do Catar apresentaram novas ideias, que foram discutidas com os iranianos e serão novamente levadas aos americanos antes de uma resposta definitiva. O ministro afirmou ainda que o foco das tratativas está concentrado na reabertura de Ormuz, condicionada ao cumprimento de exigências já apresentadas por Teerã.
Entre as condições estão um cessar-fogo de sete dias em todo o Oriente Médio e a liberação de ativos iranianos congelados no exterior. A proposta apresentada na semana passada durante a Assembleia Geral da ONU estabelece prazo de quatro a cinco dias para que os EUA liberem os recursos, suspendam as sanções sobre o petróleo iraniano e encerrem o bloqueio naval aos portos do país. Na sequência, as negociações sobre o programa nuclear começariam em até sete dias, enquanto a reabertura do Estreito de Ormuz dependeria do cumprimento dessas etapas.
O presidente Donald Trump, por sua vez, negou ontem ter oferecido concessões ao Irã para encerrar a guerra e rejeitou relatos de que estaria disposto a flexibilizar sanções ou liberar recursos congelados em troca de avanços concretos nas negociações sobre o programa nuclear.
Enquanto não há avanço nas tratativas, a incerteza em torno de Ormuz, a oferta restrita e a capacidade limitada de refino continuam sustentando os preços do petróleo e de seus derivados. O movimento aumenta a preocupação com a inflação e com a possibilidade de juros elevados por mais tempo nos EUA, tanto pelo repasse do petróleo mais caro quanto pelos efeitos da expansão da inteligência artificial sobre a economia.
Nesse ambiente, o rendimento do Treasury de 10 anos permaneceu próximo de 5,25%, enquanto o título de 30 anos ficou ao redor de 5,55%. Para Henry Allen, estrategista do Deutsche Bank, em declaração ao MarketWatch, os acontecimentos geopolíticos, refletidos nos preços do petróleo e nas expectativas de inflação, estão entre os principais fatores por trás dos rendimentos elevados dos títulos. Para as ações, esse cenário mantém pressão sobre as avaliações, sobretudo nos papéis de crescimento de longo prazo.
Brasil: Disputa presidencial segue acirrada a cinco dias do 1º turno
No Brasil, a cinco dias do primeiro turno, a corrida presidencial segue marcada por uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta manhã mostra Lula com 45,3% das intenções de voto, contra 42,2% de Flávio no primeiro turno. Em eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados.
Na comparação com o levantamento anterior, de 22 de setembro, Lula recuou de 45,8% para 45,3%, enquanto Flávio passou de 43,4% para 42,2% no primeiro turno. Já na simulação de segundo turno, o candidato do PL marca 47,7% contra 47,6% do presidente e candidato à reeleição pelo PT, mantendo o cenário dentro da margem de erro.
Os levantamentos ainda não captaram integralmente os efeitos das medidas mais recentes do governo que ampliaram as preocupações em torno do quadro fiscal, entre elas o reajuste do Bolsa Família, o Desenrola 3.0, a isenção dos combustíveis e a medida provisória que proíbe as bets.
Manchetes desta manhã
- Inadimplência nas operações de crédito atinge novo recorde (Valor)
- Desemprego fica em 5,3% e tem menor taxa até agosto na série histórica (Folha)
- Exportações de petróleo do Oriente Médio se recuperam, mesmo com os preços ainda elevados (Estadão)
- Líderes do Congresso apontam mudanças em MP do fim das bets após eleições ( O Globo)
Mercado global opera sob pressão dos treasuries e do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram próximos da estabilidade nesta terça-feira (29), com investidores de olho no encontro de Donald Trump com executivos de IA, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Dario Amodei, da Anthropic.
No radar, estão ainda os primeiros dados do mercado de trabalho dos EUA na semana e as incertezas no Oriente Médio.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em baixa, pressionados pela alta dos Treasuries e do petróleo, que reforçou as preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo nos EUA.
A China destoou do tom negativo na Ásia, com Xangai e Shenzhen em alta, após o governo prometer reforçar o apoio contracíclico e estabilizar o setor imobiliário.
Já os mercados da Europa, operam em alta, puxadas pelas ações de tecnologia, com destaque para semicondutores após reportagem da Reuters sobre as perspectivas da Anthropic para a expansão da inteligência artificial. Os ganhos, porém, são limitados pelo petróleo ainda elevado e pelos rendimentos dos títulos.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,01%
- FTSE 100: +0,43%
- CAC 40: +0,28%
- Nikkei 225: -0,60%
- Shanghai SE Comp: +0,18%
- Hang Seng: -0,48%
- Ouro (jun): +0,39%, a US$ por 4.184,65 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,11%, aos 101,31 pontos
- Bitcoin: +0,77% a US$ 84.196,6
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam nesta terça-feira, com o mercado reagindo à retomada parcial das exportações da Arábia Saudita pelo oleoduto Leste-Oeste, após reparos nos danos provocados por ataques de drones. Cerca de metade da capacidade foi restabelecida, elevando o fluxo para pelo menos 3,5 milhões de barris por dia.
A melhora na oferta saudita, porém, não elimina os riscos geopolíticos. Sem avanço nas negociações entre EUA e Irã, a incerteza sobre o Estreito de Ormuz, a oferta restrita para entrega imediata e a capacidade limitada de refino seguem dando sustentação aos preços da commodity e de seus derivados.
Há pouco, o Brent/novembro baixava 0,67%, cotado a US$ 104,57 e o WTI/novembro caía 0,87%, a US$ 91,79. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,78% em Dalian, na China, cotado a US$ 104,26/ton.
Cenário internacional destaca dados de emprego nos EUA e segurança da IA
Nos EUA, o JOLTS de agosto concentra as atenções dos mercados, com expectativa de redução das vagas abertas de 7,27 milhões para 7,18 milhões. O dado ganha importância em um mercado particularmente sensível a sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). No mesmo horário, a confiança do consumidor do Conference Board deve avançar levemente, de 89,4 para 89,6.
Na agenda do Fed, a vice-presidente de Supervisão, Michelle Bowman, participa às 10h de um evento sobre segurança cibernética voltado a bancos comunitários. Às 15h, John Williams, presidente do Fed de Nova York, fala na Universidade de Buffalo. Antes disso, às 8h, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), participa da Conferência Jurídica da instituição.
A inteligência artificial também entra no radar em Washington. Donald Trump recebe nesta terça-feira executivos de algumas das principais empresas do setor, entre eles Dario Amodei, da Anthropic; Mark Zuckerberg, da Meta; Jensen Huang, da Nvidia; Alex Karp, da Palantir; e Greg Brockman, da OpenAI. O encontro ocorre em meio ao aumento das discussões sobre segurança após episódios envolvendo agentes de IA que teriam apresentado comportamentos inesperados ou descontrolados.
A reunião é apresentada como uma tentativa de aproximar o governo americano dos principais líderes da indústria diante das preocupações crescentes com a segurança dos modelos de inteligência artificial. O tema ganhou ainda mais peso após a Anthropic alertar, em seu prospecto de IPO, que sistemas avançados de IA podem representar riscos catastróficos ou existenciais. Entre os cenários citados pela empresa estão resistência ao desligamento, ocultação ou manipulação de informações e comportamentos semelhantes à chantagem.
A Anthropic busca uma avaliação de aproximadamente US$ 2 trilhões em sua abertura de capital. O prospecto também evidencia riscos empresariais, como a concentração da receita: quase um quarto do faturamento de 2025 veio de apenas dois clientes.
Brasil: Inflação, emprego e crédito concentram a agenda econômica
No Brasil, a agenda começa com o IGP-M de setembro, além das estatísticas de crédito de agosto. Os dados já mostram que a inadimplência das famílias atingiu 6%, acima dos 5,8% registrados em julho e no maior nível desde março de 2011. A alta ocorre mesmo após os efeitos do Desenrola 2.0, lançado em maio pelo governo para facilitar a renegociação de dívidas com juros mais baixos.
O mercado acompanha ainda a PNAD Contínua e mais adiante o Tesouro divulga o resultado do Governo Central de agosto. Já às 14h30, o Caged deve apontar a criação líquida de 93.486 vagas formais, acima das 58.568 registradas em julho. Apesar do avanço esperado, economistas avaliam que o mercado de trabalho começa a perder tração gradualmente, em meio aos efeitos dos juros elevados e da desaceleração da atividade.
No campo regulatório, o governo regulamentou nesta segunda-feira o Comitê Interinstitucional de Fiscalização da Exploração e da Publicidade Ilegal de Apostas de Quota Fixa. O órgão será responsável por articular e coordenar ações de prevenção, fiscalização e repressão à oferta, exploração e publicidade das bets, após a medida provisória editada na sexta-feira proibir a operação dessas plataformas no Brasil.
O colegiado terá 15 representantes de órgãos federais e deverá se reunir a cada seis meses, quando também publicará um relatório sobre suas atividades.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: mantém 80 arbitragens ativas, equivalentes a 9% de seu passivo contencioso total, segundo o advogado-geral da estatal.
- Enel SP: terá recurso julgado hoje pela Aneel em processo que pode resultar na cassação da concessão da distribuidora.
- Copasa: elegeu Augusto Dantas Borges como diretor-presidente; Marília Carvalho de Melo passa a comandar Relações Institucionais e Sustentabilidade.
- Azul e American Airlines: pediram ao Cade análise prioritária da operação entre as companhias, alegando que uma eventual demora pode dificultar a reestruturação da aérea brasileira.
- JSL: pagará R$ 421,1 milhões em dividendos, divididos em duas parcelas de R$ 210,5 milhões, nos dias 2 de outubro e 28 de dezembro.
- Ambipar: recebeu autorização da Justiça dos EUA para centralizar seu processo de recuperação judicial no Brasil.
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