A inflação dos Estados Unidos, medida pelo CPI (na sigla em inglês) subiu 0,4% em agosto, na comparação com julho, segundo dados com ajustes sazonais divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (11). Em 12 meses, a inflação ficou em 3,4%.
Ainda que o resultado cheio esteja em linha com as projeções dos analistas, o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% em agosto, acima da previsão de 0,2%. Na comparação anual, o núcleo subiu 2,4%, como previsto.
Para Addison Maier, gerente de portfólio da Janus Henderson, os números indicam que uma alta de juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) passou a ser o cenário considerado mais provável para o Federal Reserve na próxima superquarta (16).
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, por volta das 12h (de Brasília), a probabilidade de uma alta de 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, estava em 87,1%. Um aumento acumulado de 50 pontos-base até dezembro passou a ser a principal aposta, com 49,2%.
Energia responde por parte do avanço da inflação
A gasolina subiu 3,9% em agosto ante julho e respondeu por mais de um terço do aumento do CPI no mês. O grupo de energia avançou 2,1%, após recuo de 1,5% em julho. Dentro da categoria, os preços de eletricidade caíram 0,2%, enquanto o gás natural recuou 1,1%.
O índice de alimentos aumentou 0,1% em agosto, repetindo a variação registrada em julho. Os preços dos alimentos consumidos em casa ficaram estáveis no mês.
Pressões sobre o Fed
Maier afirma que a análise da Janus Henderson acompanha três fatores principais para a inflação: tarifas, energia e expansão da inteligência artificial. O gestor também cita o mercado imobiliário como um fator que pode contribuir para uma desaceleração dos preços.
Segundo o executivo, os efeitos das tarifas sobre os preços de bens vêm diminuindo. Os bens registraram alta de 0,9% em 12 meses, abaixo de 1% pela primeira vez desde junho de 2025.
Apesar da desaceleração, o número permanece acima do comportamento observado antes da pandemia, quando os preços de bens registravam, em média, queda de aproximadamente 1% em 12 meses.
Habitação mostra desaceleração
Outro ponto citado pelo gestor é o componente de habitação. O aluguel equivalente do proprietário, conhecido pela sigla OER (Owners’ Equivalent Rent), subiu 3,4% em 12 meses, segundo a análise. Foi a menor variação anual desde 2021.
O indicador estima quanto um proprietário pagaria para alugar o imóvel em que vive e é utilizado no cálculo do CPI. Para Maier, a desaceleração do OER é compatível com a perda de ritmo observada no mercado imobiliário e nos aluguéis.
Na avaliação do gestor, porém, esses sinais ainda não compensam o período em que a inflação permanece acima da meta do Fed e as pressões relacionadas aos preços de energia e à expansão da inteligência artificial.











