O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 13,75% ao ano, chegando à quinta reunião seguida de queda. A decisão unânime foi anunciada na noite desta “superquarta” (16).
Segundo o documento, os riscos para a inflação permanecem elevados, citando como pontos de atenção a possível desancoragem das expectativas, a inflação de serviços mais resistente, os efeitos do câmbio e os impactos de petróleo e energia.
Apesar de dados recentes mostrarem desaceleração, continuam acima da meta de 3%, enquanto as expectativas para 2026 e 2027 seguem em 4,9% e 4,3%, respectivamente.
A atividade econômica apresenta moderação gradual, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros, embora ainda permaneça resiliente.
No exterior, o ambiente segue marcado por incertezas, principalmente diante dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a trajetória dos juros nas economias desenvolvidas. Esse cenário exige cautela de países emergentes, como o Brasil.
Especialistas já esperavam novo corte da Selic
Especialistas consultados pelo Monitor do Mercado já esperavam uma redução na Selic, mas apontavam fatores que poderiam limitar a continuidade do ciclo de redução. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, avalia que a deflação de 0,32% do IPCA de agosto reforça a possibilidade de outra queda.
A inflação em 12 meses desacelerou de 4,4% para 4,2%. Entretanto, parte da queda mensal está relacionada a fatores temporários, como o bônus de Itaipu.
O gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti, também esperava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião e projeta uma nova redução da mesma magnitude em novembro, seguida de manutenção em dezembro, levando a taxa Selic a 13,5% no fim de 2026.
Ele cita também a deflação do IPCA de agosto e a desaceleração da atividade como fatores que abrem espaço para a continuidade do ciclo. Ao mesmo tempo, destacava as expectativas de inflação para 2027 e a situação fiscal como riscos para os próximos meses.
Já Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, destacou a necessidade de uma comunicação cautelosa do Banco Central (BC). Em sua visão, o IPCA não necessariamente representa uma acomodação estrutural da inflação.
Também chamou atenção para o cenário fiscal e para a proximidade das eleições, fatores que influenciam a percepção sobre a trajetória dos juros futuros.











