Mais da metade dos jornalistas brasileiros apresenta sintomas de depressão, segundo a pesquisa Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil, apresentada nesta segunda-feira (14) ao Conselho de Comunicação Social do Congresso.
Informações da Agência Câmara mostram que o levantamento identificou que 47,8% dos entrevistados relataram estresse e 47,9% disseram ter insônia.
Entre os aspectos avaliados estão ansiedade, depressão, capacidade para o trabalho, satisfação profissional, assédio moral e digital, consumo de álcool e percepção sobre demanda, autonomia e apoio no ambiente profissional.
A presidente do Conselho de Comunicação Social, Patrícia Blanco, também chamou atenção para ataques direcionados a jornalistas, especialmente mulheres.
Segundo monitoramento da Coalizão em Defesa do Jornalismo, 2,6 mil ataques contra jornalistas foram registrados durante duas semanas do período eleitoral. Dados apresentados revelam que dois terços dos ataques tiveram mulheres como alvo.
Assédio moral é relatado por 37% dos jornalistas
A pesquisa apontou que 37% dos entrevistados relataram ter sofrido assédio moral pelo menos uma vez. Quando considerados apenas os profissionais que relataram duas ou mais ocorrências, o percentual foi de 26%.
Para a presidente da Fenaj e conselheira do Conselho de Comunicação Social, Samira de Castro, os problemas de saúde mental não devem ser analisados apenas como questões individuais dos jornalistas. Ela explica que jornadas prolongadas, pressão por produtividade, falta de autonomia, assédio e violência digital também fazem parte das condições de trabalho avaliadas.
Pressão por audiência aumenta
As mudanças tecnológicas também foram citadas entre os fatores que alteraram a rotina das redações. Norian Segatto, secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj, afirmou que profissionais passaram a ser cobrados também por métricas de audiência, como curtidas e compartilhamentos.
A avaliação, de acordo com Segatto, é que, em algumas redações, jornalistas passaram a ser cobrados pelo desempenho das publicações nas plataformas digitais, e não pela qualidade da reportagem produzida.











