Os mercados iniciam a superquarta (16) com a certeza de que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos irão por caminhos diferentes nos juros, com corte do BC local e uma nova elevação de 0,25% do colegiado norte-americano. Com o caminho pavimentado, investidores estão de olho nos comunicados de Kevin Warsh e Gabriel Galípolo.
Em meio à definição dos juros, o cenário externo segue influenciando o humor das bolsas globais. Após subir mais 2% (Brent) e 4% (WTI), o petróleo recua nesta manhã diante das incertezas sobre a oferta do produto e de sinalizações de que a valorização já atingiu um nível “tecnicamente esticado”.
Além disso, as rotas para o transporte da commodity permanecem ameaçadas. Neste início de semana, a Arábia Saudita suspendeu os tráfegos no Mar Vermelho, um dos principais caminhos alternativos
Crise no STF segue impactando o mercado próximo das eleições
No Brasil, o mercado acompanha os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após o julgamento sobre a investigação de Alexandre de Moraes por envolvimento com Daniel Vorcaro ser adiado devido ao pedido de vista de Flávio Dino.
O pedido de vista prevê um prazo de 90 dias para que Dino apresente a sua decisão, ou seja, após o período eleitoral. Em meio aos atritos entre os ministros e ao desabafo da ministra Carmen Lúcia, que se disse “envergonhada” com a atual situação da Corte, o STF formou maioria para reunir o caso de Moraes ao processo sobre André Mendonça.
Há pouco mais de duas semanas para as eleições, os investidores acompanham o trade eleitoral, que tem influenciado o desempenho da Bolsa nas últimas semanas. Nesse período, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem priorizado o discurso de que todos os ministros envolvidos com o Banco Master sejam investigados, sem distinção.
Por outro lado, seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, usou o pedido de vista feito por Flávio Dino em comício nesta terça-feira em Fortaleza, e afirmou que isso é uma forma de proteger Alexandre de Moraes.
Manchetes desta manhã
- Juristas divergem sobre manutenção de julgamento de Mendonça na próxima semana (Valor Econômico)
- Dino lidera reação de grupo pró-Moraes, que tenta ganhar tempo e mira Fachin (Folha de S.Paulo)
- Crise no Supremo atrasa julgamento de processos de uberização, reforma da Previdência e pejotização (Folha de S.Paulo)
- Crise inédita no STF favorece discurso antissistema e desafia Lula, dizem especialistas (O Globo)
- iFood anuncia investimento recorde de R$ 24 bi em meio a disputas na Justiça e no Cade (Estadão)
Mercado global
Em Nova York, os índices futuros operam em alta antes da decisão da política monetária do Federal Reserve, marcada para às 15h, revertendo parte das perdas da sessão anterior. Parte do alívio também é refletido pelo desempenho do petróleo no pregão.
As bolsas europeias buscam recuperação nesta superquarta após duas sessões seguidas em queda, com o apetite por risco influenciado pelo recuo dos preços do petróleo, antes da decisão do Fed.
Na Ásia, as principais bolsas do continente fecharam em alta antes da decisão de juros do Fed e com o petróleo trazendo alívio. As preocupações com a oferta da commodity, no entanto, persistem diante da guerra envolvendo o Irã, das interrupções no Estreito de Ormuz e dos ataques que continuam afetando o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,33%
- FTSE 100: +0,57%
- CAC 40: +0,49%
- Nikkei 225: +0,69%
- Shanghai SE Comp: +1,26%
- Hang Seng: +0,19%
- Ouro (jun): +1,10%, a US$ 4.382,62 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,07%, aos 99,71 pontos
- Bitcoin: -1,75% a US$ 75.961,80
Commodities
Petróleo: os contratos futuros da commodity operam em queda, após a nova disparada dos últimos dias diante das incertezas sobre a oferta do produto, em meio às sinalizações, segundo analistas, de que a valorização do petróleo havia atingido um nível “tecnicamente esticado”.
- Brent para novembro cai 1,41%, a US$ 107,21
- WTI para outubro cai 2,31%, a US$ 103,39
Minério de ferro: fechou em alta de 0,14%, aos 709 yuans a tonelada (US$ 105,70)
Agenda econômica no cenário doméstico
No Brasil, além da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, prevista para as 18h30. O mercado também repercutirá a prévia do PIB de julho, medida pelo IBC-Br. Divulgado nesta manhã, o índice recuou 0,20%.
Também nesta manhã, a FGV divulgou o IGP-10 de setembro, que trouxe alta de 1,47%, após deflação de 0,51% em agosto. Ambos os índices tendem a impactar a avaliação de longo prazo do Copom.
Cenário externo
No exterior, com a decisão do Federal Reserve já precificada, a atenção estará voltada à comunicação do presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre os próximos passos da política monetária.
Entre os indicadores, os Estados Unidos divulgam nesta manhã as vendas no varejo de agosto, com expectativa de alta de 0,7%, após queda de 0,6% em julho. Às 11h30, o Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados.
Na Europa, o Reino Unido revelou a maior inflação em cinco meses, com o índice acumulado acelerando para 3,1% em 12 meses. Na zona do euro, a produção industrial de julho recuou 0,1%, contrariando a expectativa do mercado. Às 14h, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de um evento em Frankfurt.
Cenário corporativo
- Embraer (EMBJ3): governo avalia utilizar títulos soberanos de Angola como garantia para financiar cerca de R$ 2 bilhões destinados à venda de três aeronaves C-390 ao país africano.
- Avibras: Cade aprovou sem restrições a aquisição da empresa de defesa pela Globe Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
- JBS (JBSS32): fechou acordo com a VIVA para unir os negócios de couro na JBS VIVA, com participação de 50% para cada grupo. A operação ainda depende de condições para ser concluída.
- Minerva (BEEF3): aprovou aumento de capital de R$ 2,7 mil, com emissão de 544 ações ordinárias decorrente do exercício de bônus de subscrição.
- CVC (CVCB3): Fitch reafirmou rating BBB(bra), mas revisou a perspectiva de positiva para estável, citando geração de caixa mais fraca e pressões sobre o setor de turismo.
- Allos (ALOS3): pagará R$ 438 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,291919 por ação, em três parcelas entre outubro e dezembro.











