As carteiras administradas terminaram o primeiro semestre de 2026 com saída líquida de R$ 7,14 bilhões, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgados nesta quinta-feira (17).
A saída de recursos ficou concentrada entre investidores de maior patrimônio. Os investidores profissionais, categoria que reúne clientes com mais de R$ 10 milhões investidos, tiveram resgates líquidos de R$ 5,7 bilhões entre janeiro e junho. Já os investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão investidos, a saída líquida foi de R$ 2 bilhões.
O dado chama atenção porque ocorreu ao mesmo tempo em que o segmento ampliou patrimônio, número de contas e quantidade de gestores. O patrimônio das carteiras administradas chegou a R$ 1,45 trilhão no fim de junho, alta de 10% em relação aos R$ 1,32 trilhão registrados um ano antes.
Já o número de carteiras subiu de 100 mil para 124 mil, crescimento de 24% em 12 meses. O total de gestores passou de 297 para 323 no mesmo período.
Número de contas cresce mais que o patrimônio
Considerando os números divulgados pela Anbima, o patrimônio médio por carteira caiu no período. Em junho de 2025, os R$ 1,32 trilhão distribuídos por 100 mil carteiras correspondiam a uma média de aproximadamente R$ 13,2 milhões por conta.
Um ano depois, os R$ 1,45 trilhão divididos por 124 mil carteiras representam cerca de R$ 11,7 milhões por conta. O cálculo não corresponde ao saldo efetivamente investido por cada cliente, mas mostra que a expansão da quantidade de contas foi mais rápida que a do patrimônio total.
Esse movimento ajuda a explicar por que o crescimento do segmento ocorreu mesmo com saída líquida de recursos no semestre.
Investidor geral vai na direção oposta
Enquanto os investidores profissionais e qualificados retiraram recursos, os investidores gerais registraram entrada líquida de R$ 640,8 milhões no primeiro semestre. Foi o segundo maior resultado de captação líquida para esse público desde o início da série histórica da Anbima, em 2022.
O maior volume havia sido registrado no primeiro semestre de 2024, quando os aportes líquidos somaram R$ 1,2 bilhão.
Segundo Soraia Barros, gerente-executiva de Fundos da Anbima, o resultado entre os investidores de maior patrimônio ocorreu junto com o avanço das carteiras administradas entre o público geral. A executiva relaciona esse movimento à ampliação da oferta de soluções voltadas a investidores em geral.
Carteiras customizadas concentram maior parte do patrimônio
A maior parcela do patrimônio está nas carteiras customizadas, que permitem selecionar os ativos de acordo com o perfil e os objetivos de cada cliente. Esse segmento acumulava R$ 1,29 trilhão no fim do primeiro semestre de 2026, contra R$ 1,18 trilhão um ano antes.
Já as carteiras padronizadas, que seguem modelos definidos para diferentes perfis de risco, somavam R$ 156 bilhões, ante R$ 135 bilhões no mesmo período de 2025.











