Os mercados operam mistos nesta quinta-feira (17), com os futuros de Wall Street em recuperação após a queda registrada na véspera, na esteira da primeira alta de juros do Federal Reserve (Fed) em mais de três anos. No cenário internacional, investidores avaliam os próximos passos da política monetária americana e acompanham a decisão do Banco da Inglaterra (BoE).
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quinta-feira (17), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Em decisão amplamente esperada, o Fed elevou ontem a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%. A autoridade reforçou o compromisso com o controle da inflação e sinalizou uma postura mais restritiva à frente, levando os investidores a recalibrar as expectativas para os próximos movimentos dos juros americanos.
A principal referência da agenda desta quinta-feira é a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE), que manteve a taxa básica em 3,75% pela sexta reunião consecutiva. A autoridade, contudo, sinalizou que uma nova alta pode ser necessária diante das pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Seis integrantes do Comitê de Política Monetária votaram pela manutenção dos juros, entre eles o presidente Andrew Bailey. Já Catherine Mann, Megan Greene e Huw Pill defenderam uma elevação da taxa.
Bailey afirmou que a persistência da volatilidade pode ampliar os impactos sobre a inflação e aumentar a necessidade de aperto monetário. “Quanto mais essa volatilidade persistir, maior será o impacto sobre a inflação e maior a probabilidade de precisarmos aumentar a taxa básica de juros”, disse Bailey.
O anúncio também veio acompanhado da decisão de cancelar os planos de venda de títulos de longo prazo, como parte de uma reformulação do programa de aperto quantitativo (QT). O programa prevê o desmonte de uma carteira de 488 bilhões de libras até 2034.
Brasil: Selic cai e diferencial de juros com os EUA diminui
No Brasil, os mercados repercutem o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 13,75% ao ano, anunciado pelo Banco Central na superquarta. A autoridade monetária, no entanto, deixou em aberto a condução das próximas reuniões.
Apesar de os juros brasileiros permanecerem em patamar elevado, a decisão diminui o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas, movimento que pode ter repercussões sobre o câmbio, os investimentos de renda fixa e os ativos de risco.
A superquarta colocou ainda em evidência a divergência entre as trajetórias de política monetária de Brasil e Estados Unidos, com o Banco Central brasileiro reduzindo os juros enquanto o Fed iniciou um ciclo de alta.
No ambiente doméstico, os investidores também acompanham os novos levantamentos eleitorais divulgados nesta quinta-feira, entre eles pesquisas da Datafolha e AtlasIntel.
Na pesquisa AtlasIntel, Flávio Bolsonaro aparece com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula, configurando empate dentro da margem considerada. No levantamento anterior, Flávio Bolsonaro tinha 46,4%, enquanto Lula registrava 46,2%.
Na pesquisa PoderData/Aya, Lula e Flávio Bolsonaro também aparecem tecnicamente empatados nos cenários de primeiro e segundo turnos. No primeiro turno, Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro, 36%, a menor diferença entre os dois desde maio. No segundo turno, Flávio registra 46%, ante 44% de Lula.
Manchetes desta manhã
- STJ conclui que incidem PIS e Cofins sobre a Selic nos depósitos compulsórios (Valor)
- Trump ameaça aumentar tarifas contra UE se Canadá for integrado ao bloco (Folha)
- Petrobras aumenta diesel em R$ 1, mas subsídio do governo neutraliza alta (Estadão)
- BNDES recebe a partir de hoje pedidos de empréstimos para o Brasil Soberano 3 (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto ante queda do petróleo e decisão do Fed
Em Nova York, os índices futuros abriram mistos enquanto o petróleo recua, em meio à expectativa de controle da inflação após o Fed elevar os juros e sinalizar novas altas à frente.
Já as bolsas europeias operam em alta, apoiadas pela continuidade da queda do petróleo. O movimento favorece as ações do setor de viagens, enquanto os papéis de energia operam em sentido contrário. Ainda entre os destaques, a Sodexo avança 4,43%, após o JPMorgan elevar sua recomendação de neutra para overweight, equivalente a compra.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, repercutindo a decisão do Fed de elevar os juros em 25 pb, para 3,75%-4%, e sinalizar mais uma alta ainda este ano.
Apesar de esperado, o movimento pressionou Wall Street e elevou os rendimentos dos Treasuries de curto prazo, levando cautela aos mercados asiáticos. Os investidores agora aguardam a decisão do BoJ amanhã, com expectativa de alta dos juros.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,85%
- FTSE 100: +0,62%
- CAC 40: +0,39%
- Nikkei 225: +0,33%
- Shanghai SE Comp: -0,41%
- Hang Seng: -0,44%
- Ouro (jun): +0,73%, a US$ por 4.419,40 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,29%, aos 100,03 pontos
- Bitcoin: +1,35% a US$ 76.946,8
Commodities
- Petróleo: recua pela segunda sessão consecutiva, após a Arábia Saudita ampliar a oferta por meio de Omã, reduzindo as preocupações com interrupções no Oriente Médio. Também há expectativa de que metade da capacidade do oleoduto saudita atingido por drones seja retomada nos próximos dias, com normalização total em até seis semanas.
Como alternativa ao Estreito de Ormuz, o oleoduto Leste-Oeste transporta cerca de 4 milhões de barris por dia, equivalente a 4% da oferta global.
O Brent/novembro cede 2,55%, cotado a US$ 103,13 e o WTI/outubro cai 1,90%, a US$ 100,48.
Cenário internacional: EUA avançam com sanções à Rússia e ameaçam UE
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (16) um amplo pacote de sanções contra autoridades russas e setores estratégicos da economia de Moscou. A iniciativa busca restringir as fontes de financiamento utilizadas pelo governo do presidente russo, Vladimir Putin, para sustentar a guerra contra a Ucrânia.
O projeto recebeu 262 votos favoráveis e 159 contrários e segue agora para o presidente Donald Trump, que deve sancionar a medida. A proposta leva o nome do falecido senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que passou mais de um ano negociando o texto.
Trump também elevou a pressão sobre a União Europeia. O presidente americano ameaçou impor novas tarifas ao bloco ou suspender o comércio com a UE caso avance a proposta de transformar o Canadá em seu primeiro “membro associado”. Trump classificou a possibilidade como um eventual “ato hostil”.
A declaração ocorreu após a presidente da Comissão Europeia afirmar que o bloco estava abrindo caminho para a entrada do Canadá nessa categoria. A modalidade de “membro associado”, porém, ainda não existe formalmente nos tratados europeus.
No Oriente Médio, a Arábia Saudita começou a disponibilizar cargas adicionais de petróleo para refinarias asiáticas por meio de transferências de navio para navio nas proximidades do porto de Sohar, em Omã. A operação ajudou a reduzir parte dos efeitos do ataque ao oleoduto que transporta petróleo saudita até o Mar Vermelho.
As rotas alternativas de exportação podem compensar parte do volume afetado pelo ataque, mas o risco de uma escalada mais ampla das tensões no Oriente Médio continua no radar dos mercados de petróleo.
Brasil: Governo prepara novo programa para reduzir dívidas das famílias
No Brasil, a equipe econômica deve apresentar nos próximos dias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta de novo programa para reduzir o endividamento das famílias. Em entrevista ao jornal Extra, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo estuda uma espécie de “leilão” para viabilizar a recompra, com deságio, de dívidas antigas dos consumidores.
A proposta prevê uma diferença importante em relação ao Desenrola lançado no início do atual mandato de Lula. Em vez de o consumidor precisar acessar uma plataforma para negociar diretamente seus débitos, o próprio governo faria o leilão das dívidas, buscando condições para a redução dos valores devidos.
O movimento ocorre em um cenário de inadimplência elevada. Segundo os dados mais recentes do Banco Central, a inadimplência dos consumidores chegou a 5,8% em julho, maior nível desde março de 2011.
Também no campo econômico, o BNDES abriu nesta quinta-feira o protocolo para empresas elegíveis solicitarem crédito na terceira edição do Plano Brasil Soberano, programa criado para apoiar exportadores afetados pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e posteriormente ampliado para outros setores impactados pelo conflito no Oriente Médio.
A nova etapa conta com R$ 22,6 bilhões disponíveis. Inicialmente, estavam previstos R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES. No início de setembro, porém, o banco de fomento anunciou a ampliação de sua participação para R$ 9,1 bilhões.
Destaques do mercado corporativo
- Bradsaúde: comprou terrenos e imóveis em Jundiaí, no interior de São Paulo, para erguer um novo hospital na região. Segundo a empresa, o projeto ficará a cargo da Atlântica D’Or, braço resultante da parceria da Bradsaúde com a Rede D’Or.
- Emae: teve a incorporação da totalidade de suas ações pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aprovada pelos próprios acionistas, em AGE. Como compensação pela operação, os acionistas da Emae passarão a deter ações ordinárias da Sabesp.
- Azevedo & Travassos: acertou a venda de controle de concessionária de água e esgoto de Alagoas por R$ 21 milhões.
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