O Banco Central abriu a consulta pública 130/2026 para atualizar o Padrão Contábil das Instituições Reguladas pelo BC (Cosif), o conjunto de normas contábeis que orienta os balanços de bancos e demais instituições financeiras autorizadas a funcionar no país. A proposta busca alinhar o Cosif ao IFRS 18, novo padrão internacional de apresentação e divulgação de demonstrações contábeis emitido pelo International Accounting Standards Board (Iasb), que substituirá o IAS 1 a partir de janeiro de 2027.
A revisão é necessária para preservar a convergência do padrão brasileiro às melhores práticas internacionais e para fortalecer a qualidade das informações divulgadas pelas instituições financeiras.
As minutas submetidas à consulta estabelecem critérios mais claros para a classificação de receitas e despesas, para a agregação e desagregação de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa. As instituições deverão observar características compartilhadas entre os itens apresentados e evitar que a estrutura das demonstrações oculte informações relevantes.
Também será necessário utilizar descrições que representem de forma fiel o conteúdo das informações divulgadas. Na prática, isso significa que as instituições financeiras e demais autorizadas pela autarquia terão de revisar a forma como classificam e apresentam suas operações, com impacto direto na leitura dos demonstrativos por investidores e credores.
Resultado passa a ter cinco categorias e cinco subtotais
Uma das principais mudanças está na Demonstração do Resultado. A minuta introduz o conceito de atividades de negócio principais e exige que cada instituição avalie e divulgue se sua principal atividade está associada a investimentos em ativos ou à concessão de financiamento a clientes. Com base nessa avaliação, receitas e despesas deverão ser classificadas em cinco categorias: operacional, investimento, financiamento, tributos sobre o lucro e operações descontinuadas.
Também passa a ser obrigatória a apresentação de cinco subtotais de resultado, incluindo lucro ou prejuízo operacional e lucro ou prejuízo antes de financiamento e tributos sobre o lucro.
A expectativa do BC é que a padronização facilite a análise das demonstrações financeiras e aumente a comparabilidade entre diferentes instituições. As regras ainda disciplinam a divulgação de medidas de desempenho definidas pela administração (MPMs), com exigências mínimas de transparência sobre metodologia de cálculo, utilidade e conciliação com os valores contábeis apresentados.
Para Gilneu Francisco Astolfi Vivan, diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, a proposta fortalece a convergência aos padrões internacionais e a qualidade das informações contábeis. “O objetivo é ampliar a transparência, fortalecer a comparabilidade dos demonstrativos e contribuir para decisões mais bem fundamentadas por parte dos usuários dessas informações”, afirma, em nota.
Banco Central dará período de adaptação para os bancos
O BC definiu um período de adaptação para o setor financeiro. Embora o IFRS 18 substitua o IAS 1 a partir de janeiro de 2027, as novas regras do Cosif produzirão efeitos para demonstrações financeiras relativas a períodos encerrados a partir de 31 de dezembro de 2027.
Haverá possibilidade de adoção antecipada nas demonstrações semestrais daquele ano. O prazo para o envio de contribuições à consulta pública se encerra em 9 de novembro de 2026.











