Os mercados globais operam em alta nesta terça-feira (22), apesar da sinalização negativa dos índices futuros americanos no início da sessão. O movimento ocorre enquanto as ações de tecnologia perdem força e o petróleo interrompe uma sequência de quatro sessões de queda. No radar dos investidores, a agenda diplomática em Nova York ganha peso, com o discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU e a possibilidade de um encontro com o presidente do Irã.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta terça-feira (22), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
No mercado de petróleo, os contratos futuros recuam após terem operado em alta durante a madrugada. Com o movimento, o Brent voltou a ser negociado abaixo dos US$ 100 por barril, em meio às expectativas de avanços nas negociações diplomáticas entre autoridades americanas e iranianas durante a Assembleia Geral da ONU.
As tratativas envolvendo o Estreito de Ormuz também estão no foco. Segundo um alto funcionário iraniano, Teerã propôs reabrir a passagem marítima em sete dias caso os Estados Unidos suspendam o bloqueio aos portos do país. A proposta teria sido entregue a Washington por meio de mediadores em 16 de setembro. O governo iraniano afirma ainda estar aberto à retomada da diplomacia, desde que os EUA adotem medidas concretas.
Além do petróleo, a agenda de Trump em Nova York concentra a atenção dos mercados. O presidente americano terá nesta terça-feira uma série de reuniões com líderes de quatro continentes durante a Assembleia Geral da ONU, em meio à instabilidade no Oriente Médio e à guerra na Ucrânia, que já dura quatro anos e meio e não apresenta sinais de arrefecimento, apesar das sucessivas tentativas de mediação da Casa Branca. A possibilidade de um encontro com o presidente iraniano também permanece como ponto de atenção. Os Estados Unidos afirmam estar abertos a conversas com representantes do Irã durante a Assembleia, embora ainda não haja uma reunião agendada.
O discurso anual de Trump ocorre ainda em meio à queda de sua aprovação às vésperas das eleições de meio de mandato. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou aprovação de 32%, menor nível registrado em sua trajetória política, enquanto a desaprovação chegou a 66%. Entre os eleitores republicanos, a aprovação caiu de 82% na pesquisa anterior para 73%, em meio à insatisfação com a condução do custo de vida.
Brasil: Lula discursa na ONU em meio à tensão com os EUA
No Brasil, a atenção se volta para o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU. A participação ocorre em um momento delicado da relação entre Brasil e Estados Unidos, a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, em meio a uma disputa comercial ainda sem solução e ao risco de uma nova rodada de sanções do governo Trump contra autoridades brasileiras.
Em seu pronunciamento, Lula deve abordar a defesa da soberania dos países, o combate à fome e à pobreza, as mudanças climáticas, o crime organizado e a necessidade de reformar instituições multilaterais, especialmente o Conselho de Segurança da ONU. A soberania e a relação com os Estados Unidos estão entre os temas que cercam a participação brasileira nesta edição da Assembleia.
Nesta segunda-feira, Lula concentrou parte da agenda em compromissos políticos e diplomáticos em Nova York. O presidente se reuniu com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, além de manter encontros com o senador americano Bernie Sanders e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. A reunião desta segunda-feira ocorreu na residência oficial do representante do Brasil junto à ONU, o embaixador Sérgio Danese.
Após o discurso de abertura, a previsão é que Lula retorne ao Brasil para retomar as atividades de campanha pela reeleição.
Manchetes desta manhã
- BC: Magnitude do ciclo de calibração da Selic será ajustada conforme evolução do cenário (Valor)
- UE e Filipinas anunciam acordo inicial de livre comércio; Canadá negocia com asiáticos (Folha)
- ONU escolhe novo líder em meio a crise de credibilidade e enfraquecimento do multilateralismo (Estadão)
- Credores da Braskem pedem US$ 3 bilhões a controladores da empresa (O Globo)
Mercado global em alta com petróleo e expectativa por discursos na ONU
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa nesta terça-feira (22) e agora se recuperam, com a alta das ações de tecnologia perdendo força após o petróleo interromper uma sequência de quatro sessões de queda.
No radar dos investidores está o discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e a possibilidade de um encontro com o presidente do Irã.
As Bolsas da Europa também operam em alta, impulsionadas pelo recuo do petróleo, com o Brent novamente abaixo de US$ 100 por barril, em meio à expectativa de avanços diplomáticos nas negociações entre EUA e Irã.
O setor varejista se destaca entre os maiores ganhos, com ações da Kingfisher saltando 9,85%, após elevar a projeção de lucro para o ano fiscal. A companhia reportou crescimento de 9,9% no resultado do primeiro semestre.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta nesta terça-feira, mas reduziram os ganhos impulsionados pelas ações de tecnologia e diante da recuperação dos preços do petróleo.
A cautela aumenta entre os investidores antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para quinta-feira (24).
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,08%
- FTSE 100: +0,12%
- CAC 40: +0,48%
- Nikkei 225: fechado devido a feriados
- Shanghai SE Comp: +0,06%
- Hang Seng: +0,18%
- Ouro (jun): -0,15%, a US$ por 4.377,22 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,01%, aos 100,43 pontos
- Bitcoin: +0,76% a US$ 85.992,1
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros operam em queda nesta terça-feira, após avançarem durante a madrugada, com o Brent novamente abaixo de US$ 100 por barril. O movimento reflete a expectativa de progresso nas tratativas diplomáticas entre autoridades dos EUA e do Irã durante a Assembleia Geral da ONU, além de possíveis avanços sobre o Estreito de Ormuz.
Há pouco, o Brent/novembro perdia 1,50%, cotado a US$ 98,83 e o WTI/novembro caía 2,02%, a US$ 90,50. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,05% em Dalian, na China, cotado a US$ 105,68/ton.
Cenário internacional destaca sanções ao Irã e contas públicas britânicas
Nos Estados Unidos, o mercado acompanha uma sequência de discursos de dirigentes do Federal Reserve. Às 11h05, John Williams participa de um evento, seguido por Philip Jefferson, às 11h20. Às 14h, é a vez de Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond.
Na zona do euro, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), participa de uma conferência. A agenda também prevê uma fala gravada de Lagarde na 10ª Conferência Anual de Pesquisa sobre respostas dos bancos centrais aos desafios futuros.
No campo geopolítico, a pressão de Washington sobre Teerã ganha força. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que todas as companhias aéreas iranianas deixarão de operar a partir desta quarta-feira (23), com restrições ao fornecimento de combustível, aos serviços de pouso e à venda de passagens para empresas que descumprirem as determinações. Bessent afirmou que a pressão sobre o Irã será “como nunca antes” e que os Estados Unidos continuarão cortando o apoio a instituições que sustentam o regime iraniano no exterior, incluindo a aplicação de sanções contra bancos.
Enquanto Washington amplia as medidas, o Reino Unido anunciou apoio à Arábia Saudita diante dos ataques dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que Londres fornecerá, por período limitado, reabastecimento aéreo defensivo para aeronaves sauditas. A medida foi adotada após um pedido de Riad e deverá apoiar missões de defesa contra drones e mísseis, sem participação britânica em ataques contra os houthis.
Além da escalada geopolítica, o Reino Unido entra no radar dos mercados por causa da situação fiscal. O Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS) informou que o governo registrou déficit de 18,3 bilhões de libras (US$ 24,46 bilhões) em agosto, 2,9 bilhões de libras acima do registrado no mesmo mês de 2025.
No acumulado do ano fiscal até agosto, o déficit chegou a 77,3 bilhões de libras, 8,1 bilhões acima da projeção do Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR). O resultado aumenta a pressão sobre os planos de redução do déficit às vésperas do orçamento previsto para outubro.
Brasil: ata do Copom reforça cautela com inflação e contas públicas
No Brasil, a agenda econômica destaca a divulgação da arrecadação federal de agosto, cuja mediana das expectativas é de R$ 239 bilhões. Às 14h30, o Ministério da Fazenda apresenta o Boletim Macrofiscal. A Receita Federal confirmou a divulgação dos dados de agosto nesta terça-feira.
O principal destaque, porém, é a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento preserva a avaliação de que um ambiente de expectativas desancoradas exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo, mantendo o sinal de cautela mesmo diante da melhora observada em inflação e atividade.
O Banco Central também mantém a avaliação de que a inflação segue pressionada pela demanda, com riscos ainda assimétricos para cima e possibilidade de maior persistência da inflação de serviços. Nesse cenário, a autoridade monetária reforça que a condução da política econômica precisa considerar não apenas os preços correntes, mas também o comportamento das expectativas.
A política fiscal aparece novamente associada às condições monetárias. O BC relaciona a sustentabilidade da dívida pública ao prêmio a termo e à taxa de juros neutra e afirma que dúvidas sobre a estabilização da dívida podem elevar essa taxa e, consequentemente, aumentar o custo necessário para a desinflação. A ata volta a defender a necessidade de políticas fiscal e monetária “harmoniosas”.
Nas projeções, o Copom estima IPCA de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, período considerado o horizonte relevante para a política monetária.
Destaques do mercado corporativo
- Santander Brasil: protocolou os pedidos necessários para sua OPA de permuta, incluindo registros relacionados à matriz como emissor estrangeiro e ao programa de BDRs.
- Braskem: credores propõem aporte de US$ 3 bilhões pela Petrobras em dois anos; empresa deve rejeitar a proposta e pode pedir recuperação judicial.
- Raízen: IG4 Capital negocia compra de dívidas ligadas aos negócios de açúcar e etanol antes da conclusão da reestruturação financeira.
- JBS: esclareceu que o cancelamento do registro da JBS S.A. como emissora categoria A foi uma formalidade após a substituição pela JBS N.V.
- EcoRodovias: Antipodes Partners passou a deter 5,53% do capital, ou 38,5 milhões de ações ON.
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