O Brasil movimentou US$ 252,5 bilhões em criptomoedas nos últimos 12 meses até o final de junho de 2026 e ultrapassou os Estados Unidos na liderança global de adoção dos criptoativos, segundo o novo estudo da Chainalysis “Geography of Cryptocurrency Report 2026”, divulgado nesta quarta-feira (23). O volume também representa quase metade do volume da América Latina (US$ 593,8 bilhões).
O volume colocou o país à frente de Argentina, com US$ 88,5 bilhões, e México, com US$ 77,6 bilhões. Os cinco maiores mercados da região responderam por mais de 80% da atividade cripto latino-americana. A participação brasileira também aumentou. Em 2022, o país representava 31,6% da economia cripto da América Latina. No período mais recente, a fatia chegou a 43,7%.
Além da liderança em adoção, o país também está mudando a forma como esse mercado se estrutura internamente, com maior participação de plataformas locais e expansão do uso de stablecoins, ativos digitais desenhados para manter valor próximo ao de uma moeda de referência.
Para Andrew Forson, presidente da DeFi Technologies, “a posição do Brasil como principal mercado de adoção de criptoativos no mundo reflete a forma como os ativos digitais vêm sendo incorporados às atividades financeiras cotidianas, deixando de estar restritos a investimentos ou à especulação”.
Apesar de ter ultrapassado os EUA, o Brasil não lidera o mercado em valores absolutos, como lembrou o Valor Investe em publicação nesta semana. Os norte-americanos segue à frente em volume movimento por exchanges e outros serviços, assim como no valor mantido em criptos.
Plataformas locais de cripto ganham espaço
A expansão brasileira também aparece na estrutura de negociação. A participação das exchanges que operam no Brasil nos fluxos destinados a plataformas domésticas passou de 1,5% para 12,5%, segundo a Chainalysis.
O movimento contrasta com o restante da América Latina, onde as plataformas locais perderam participação para concorrentes internacionais. O relatório relaciona a mudança a fatores como maior clareza regulatória, investimentos e desenvolvimento das ofertas locais.
Em fevereiro de 2026, o Banco Central passou a exigir novas regras para prestadores de serviços de ativos virtuais, incluindo requisitos de governança, gestão de riscos, segurança, compliance e capital mínimo.
As novas exigências podem aumentar o custo de operação para empresas menores e contribuir para a consolidação do setor. Por outro lado, regras mais definidas podem facilitar a aproximação entre bancos, fintechs e outras instituições financeiras e o mercado de criptoativos.
Para Julia Rosin, presidente da ABCripto, as barreiras de entrada mais altas impostas pelo BCB podem acabar gerando maior confiança dos consumidores nas empresas que sobreviverem. “Quando as regras chegam, a confiança vem em seguida”, disse a executiva no relatório.
Ela afirma ainda que, regulamentações mais rígidas são o fator mais importante para o crescimento de longo prazo do mercado de criptomoedas de varejo no Brasil e representam um sinal de maturação institucional do mercado brasileiro.
Stablecoins crescem 495% no Brasil
Entre os diferentes segmentos do mercado cripto, as stablecoins aparecem como um dos principais vetores de expansão. O valor da economia brasileira de stablecoins cresceu 495%, enquanto o avanço no restante da América Latina, excluindo o Brasil, foi de 89,4%.
No Brasil, o relatório destaca especialmente o uso corporativo desses ativos, visto que empresas utilizam stablecoins para liquidez e transferências internacionais, enquanto o Pix reduz a necessidade de utilizar criptomoedas em pagamentos cotidianos entre consumidores.
“O crescimento de quase 500% nas stablecoins mostra que empresas e pessoas estão utilizando ativos digitais como infraestrutura para pagamentos e operações internacionais. Isso reforça o potencial do Brasil de se tornar uma referência global na integração entre sistema financeiro tradicional e blockchain”, disse Carlos Russo, CEO da Bloquo.










