A White Solder, produtora de estanho, forneceu ao menos 525 toneladas do metal à americana Indium Corporation, que fornece solda à Raytheon, fabricante de radares e mísseis e uma das principais contratadas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, entre maio de 2023 e agosto de 2025.
A apuração, segundo investigações da Repórter Brasil publicadas pela Mongabay, ocorre enquanto a White Solder é alvo de uma ação na Justiça Federal brasileira por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e à mineração ilegal na Amazônia.
Em agosto de 2026, a Justiça aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal contra a empresa. Segundo os procuradores, a White Solder teria pago R$ 166 milhões, ou US$ 32,5 milhões, à Coopertin, cooperativa de produtores de estanho acusada de ocultar a origem de mais de 525 toneladas de cassiterita extraídas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami entre 2021 e 2022.
A investigação também identificou vendas da White Solder para a Nathan Trotter, fabricante americana de ligas e soldas de estanho. Entre 2021 e 2025, foram fornecidas ao menos 2.400 toneladas do metal. Em 2024, o Departamento de Defesa dos EUA concedeu à Nathan Trotter um contrato de US$ 19 milhões para a construção de uma unidade de fundição, refino e reciclagem de estanho na Pensilvânia.
Emily Iona Stewart, chefe de política e advocacy da ONG Global Witness, afirmou à Repórter Brasil que o aumento da demanda americana por matérias-primas destinadas à indústria de defesa pode ampliar os impactos associados à mineração sem mecanismos adequados de controle e verificação da origem dos minerais.
Investigação aponta possíveis “minas fantasmas” em Rondônia
Outra parte da apuração identificou compras declaradas de mais de 2.300 toneladas de cassiterita pela White Solder entre 2020 e 2025. Segundo a Repórter Brasil, os registros indicavam duas áreas autorizadas para mineração em Rondônia como origem do material.
Imagens de satélite, sobrevoos e vistorias realizadas no local, porém, não encontraram evidências de atividade mineradora nas áreas indicadas. O Greenpeace Brasil, que colaborou com a investigação, classificou os locais como possíveis “minas fantasmas”, que poderiam ser utilizados para registrar uma origem formal para minério extraído em outras regiões.
Indium diz que fornecedora atendia critérios internacionais
Procurada pela reportagem da Repórter Brasil, a Indium Corporation afirmou que a White Solder atendia, no período das compras, aos critérios da Responsible Minerals Initiative (RMI), programa internacional voltado à verificação da cadeia de fornecimento de minerais. A empresa não informou se continua comprando estanho da White Solder.
White Solder, Nathan Trotter, Coopertin, Raytheon e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não responderam aos questionamentos feitos pela Repórter Brasil, segundo a reportagem.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.










