O Banco Central cortou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 de 2% para 1,8%, e manteve a inflação esperada para o fim do ano em 5,2%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (24) no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.
A atualização indica que a desaceleração recente ainda não foi suficiente para colocar a inflação na meta, mesmo com o alívio observado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, após avançar 1,1% nos três meses anteriores. Para o terceiro trimestre, os indicadores preliminares coletados pelo Banco Central sugerem que a perda de ritmo continua.
Com isso, a autoridade monetária reduziu a projeção de expansão do PIB para este ano de 2% para 1,8% e indicou que em 2027 o crescimento esperado é de uma nova desaceleração para 1,4%. O mercado de trabalho, porém, segue apertado: a taxa de desocupação permanece em patamar historicamente baixo e o emprego formal continua positivo, ainda que em ritmo menor do que antes.
Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, incertezas geopolíticas, políticas e climáticas aumentam a complexidade da reação dos bancos centrais, e que expectativas longas desancoradas, mesmo com desaceleração do PIB, seguem no radar.
Inflação deve voltar a subir nos próximos meses
O diretor de Política Econômica, de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou desaceleração da atividade econômica.
Segundo ele, a inflação cheia e a média dos núcleos estão abaixo do intervalo de tolerância da meta, mas ainda acima do centro da meta. Picchetti afirmou que os dados recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostraram algum alívio, mas que o movimento não deve continuar nos próximos meses.
“Passados os efeitos das surpresas de curto prazo, a gente tem uma reaceleração da inflação projetada”, disse o diretor. O Banco Central considera que a inflação acumulada em 12 meses deve voltar a superar o limite superior do intervalo de tolerância da meta a partir de outubro.
Picchetti também destacou que a inflação de serviços permanece em nível elevado. O segmento reúne itens como aluguel, alimentação fora do domicílio, educação e serviços pessoais.
A autoridade monetária acompanha esse grupo porque seus preços tendem a responder às condições da atividade econômica e do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o diretor afirmou que a desaceleração da economia tem sido mais concentrada nos componentes cíclicos, que são aqueles mais sensíveis aos juros e às condições de crédito.
Atividade econômica entra em fase de moderação
A análise do Banco Central indica que a economia brasileira entrou em uma fase mais clara de moderação no segundo trimestre de 2026. A desaceleração foi mais intensa nos componentes sensíveis ao ciclo econômico e às condições financeiras. A avaliação é compatível com os efeitos esperados da política monetária sobre a demanda.
O mercado de trabalho, por outro lado, continua apresentando baixa taxa de desemprego e crescimento real dos salários. A expansão da ocupação, porém, perdeu ritmo, enquanto os rendimentos apresentam sinais de acomodação.
Para Leandro Padulla, economista do ASA, os dados do PIB reforçam a leitura de desaceleração da atividade nos setores mais sensíveis às condições financeiras.
Padulla também aponta que o cenário internacional permanece sujeito a incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, aos preços de energia e commodities e à condução da política monetária nas principais economias desenvolvidas.










