A coalizão Escudo das Américas, criada em março deste ano e formada pelos Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos, usou o combate ao narcotráfico como alavanca para tentar limitar a influência econômica da China na região, segundo a Agência Brasil.
O documento divulgado nesta semana, às margens da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, sinaliza a intenção dos 15 integrantes de levar a proposta à Organização dos Estados Americanos (OEA) e classifica 24 grupos como “terroristas”, entre eles o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Em paralelo, o texto defende a proteção das cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas e confiáveis, eixo central da disputa tecnológica entre Washington e Pequim.
Os minerais críticos, insumos essenciais para as indústrias de tecnologia, defesa e transição energética, aparecem no documento como parte das medidas de cooperação econômica entre os membros da coalizão. O texto defende ainda a promoção de regulamentações de fornecedores confiáveis para infraestrutura digital, aplicadas de forma não discriminatória.
Para Robson Valdez, professor de relações internacionais do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o foco principal do Escudo das Américas é legitimar ingerências na América Latina — e, indiretamente, sinalizar à China que a manutenção das relações com a região teria de ser revista sob a perspectiva da política externa norte-americana.
Valdez acrescenta que a coalizão pode impor a venda de equipamentos militares dos Estados Unidos, retirando dos países a autonomia para escolher parceiros de compras de armamento. Danilo Enrico Martuscelli, professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), classifica a política do segundo mandato de Donald Trump como “agressão imperial aberta”.
Ele lembra que Trump concedeu indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por facilitar a importação de toneladas de cocaína para os EUA. “Eles querem combater o narcotráfico, mas no quintal dos outros”, questionou.
Pressão do Escudo das Américas na OEA e o recurso ao TIAR
O documento informa que os países pretendem apresentar proposta à OEA para atuação conjunta contra o narcotráfico, com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), assinado em 1947.
Pelo tratado, “a agressão a um Estado americano constitui uma agressão a todos os demais Estados americanos”. Ao recorrer ao organismo, o grupo liderado pelos EUA tenta pressionar países que ficaram de fora, como Brasil, México, Uruguai e Canadá. Martuscelli avalia que o objetivo é dar “legitimidade institucional” a uma política de pressão imperial.
Valdez pondera que a coalizão visa, principalmente, legitimar a presença física de tropas americanas na região a pretexto de combater o crime organizado.
Brasil acompanha movimento com cautela
Sem ter sido convidado a integrar a iniciativa, o governo brasileiro encara o Escudo das Américas com cautela, ao mesmo tempo em que mantém a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Para Brasília, a coalizão pode servir a Washington para obter alinhamentos automáticos no campo econômico, com possíveis restrições à presença da China na América Latina. O governo aguarda a apresentação formal da proposta à OEA para decidir se apoiará ou rejeitará uma eventual resolução.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.










