A Tupy (TUPY3) entrou no radar do Itaú BBA após uma série de mudanças na governança e na estrutura de gestão da companhia. O banco elevou a recomendação para compra e aumentou o preço-alvo da ação de R$ 13 para R$ 20, citando expectativa de recuperação da demanda e avanço de medidas de eficiência no segundo semestre.
A revisão ocorre um dia após a Tupy anunciar a renúncia de Jaime Luiz Kalsing à presidência do Conselho de Administração. Por razões pessoais, ele deixará o cargo em até 60 dias ou quando o substituto assumir, o que ocorrer primeiro.
Para sucedê-lo, o conselho indicou Gueitiro Matsuo Genso, atual vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios, Inovação e M&A. A indicação ainda precisa ser aprovada pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
As mudanças na administração e a revisão do Itaú BBA impulsionaram as ações da Tupy. Nesta terça-feira (29), os papéis TUPY3 operam em forte alta de 2,88%, cotados a R$ 16,45.
Itaú BBA vê recuperação operacional para Tupy
Na avaliação do Itaú BBA, o segundo semestre pode representar um ponto de inflexão para a operação da Tupy, com recuperação da demanda e avanço de iniciativas voltadas à eficiência.
Os analistas Gabriel Rezende, Daniel Gasparete e Pedro Tineo incorporaram resultados recentes abaixo das projeções e adotaram premissas mais conservadoras para 2027. Ainda assim, o banco manteve a avaliação de uma relação entre risco e retorno favorável para a ação.
A instituição também destacou mudanças na governança e uma equipe de gestão mais profissionalizada, com foco em aumentar a capacidade de resistência dos resultados e reduzir a dependência dos lucros em relação ao ciclo econômico.
Uma das mudanças utilizadas pelo Itaú BBA na avaliação foi a redução do custo médio ponderado de capital (WACC) de 16% para 14%.
Segundo o relatório, essa alteração ajudou a sustentar a elevação do preço-alvo para R$ 20 mesmo diante de projeções mais cautelosas. O banco projeta crescimento de 7% da receita até 2027 e margem Ebitda (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 10,4%.
A estimativa do Itaú BBA fica cerca de 1 ponto percentual abaixo da rentabilidade histórica da companhia em condições consideradas normalizadas.
Tupy deve ter resultado construtivo no 3º trimestre
Para o curto prazo, o Itaú BBA estima receita de R$ 2,6 bilhões no terceiro trimestre, com margem Ebitda de 9,4%.
O banco considera os dados de demanda por caminhões nos Estados Unidos um dos principais indicadores para acompanhar a Tupy, diante da visibilidade ainda limitada sobre a cadeia automotiva global.
Entre os riscos apontados pelo banco estão uma recuperação mais lenta da rentabilidade e a valorização do real, que pode afetar os resultados e a competitividade da companhia.
Na avaliação do BTG Pactual, a companhia atravessa um processo de transformação, com foco em governança, redução do endividamento e eficiência operacional. O banco destaca ainda a exposição da Tupy ao mercado norte-americano de veículos pesados. O BTG tem recomendação de compra para TUPY3, com preço-alvo de R$ 24.
Companhia também troca executivos
As mudanças na estrutura de gestão incluem alterações em outras áreas da companhia, com efeitos a partir de 1º de outubro. Ricardo Sendim Fioramonte deixará, de forma consensual e antecipada, a vice-presidência Comercial. Ele permanecerá na Tupy para apoiar negociações em andamento e a transferência de responsabilidades.
Cristian Malevic, até então responsável pela Unidade de Negócio de Energia e Descarbonização, assumirá a vice-presidência Comercial. Durval Graça Junior, da Diretoria de Engenharia e Produtos, ficará interinamente à frente da unidade.
A companhia também confirmou a saída de Toni Marcelo Zampieri Bueno da vice-presidência de Compras e Logística. Luciano Boiko, atual vice-presidente de Operações, acumulará interinamente as áreas de Compras, Logística e Planejamento de Vendas e Operações (S&OP).
A administração ainda avalia uma nova macroestrutura organizacional para integrar processos e definir as responsabilidades executivas.










