A venda generalizada de títulos públicos ganhou força nesta quinta-feira (1º) e levou os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida do governo dos Estados Unidos, aos maiores níveis em décadas. O movimento, que se espalhou por mercados como Reino Unido e França, ocorre diante do choque energético no Oriente Médio, levando à disparada do petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril.
O avanço da commodity ampliou as preocupações com a inflação e acrescentou pressão às contas públicas. O petróleo Brent, referência internacional, chegou a 2,6% na manhã desta quinta-feira. Às 10h32 (horário de Brasília), os contratos para dezembro registravam alta de 1,95%, negociados a US$ 99,94.
Segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo, nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 10 anos avançou 0,04 ponto percentual, para 5,34%, nível que não era observado há 24 anos. O mercado de títulos do governo americano, atualmente avaliado em US$ 32 trilhões (R$ 165,55 trilhões), é uma das principais referências para as condições financeiras globais.
A forte movimentação também elevou a preocupação com um possível ciclo de vendas diante da alta dos rendimentos, em um cenário em que a queda dos preços dos títulos podem aumentar a necessidade de redução de posições.
Nesse ambiente, o índice Ice BofA Move, que mede a volatilidade implícita dos Treasuries, aproximava-se do pico registrado nas primeiras semanas do conflito.
Treasury de dois anos recua
Apesar da alta nos rendimentos dos títulos de prazo mais longo, o Treasury de dois anos, que reflete as expectativas para a trajetória das taxas de juros de curto prazo, operava em direção oposta na manhã desta quinta-feira.
Por volta das 9h50, o rendimento do título recuava 2 pontos-base, para 4,864%, após dados de inflação e declarações recentes de autoridades do Federal Reserve (Fed) indicarem a possibilidade de a instituição manter sua taxa de referência na faixa de 3,75% a 4% em outubro.
Na ponta longa da curva, os rendimentos apresentavam estabilidade. O retorno do Treasury de 10 anos, considerado referência global para decisões de investimento, estava em 5,298%.
O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou nesta quinta-feira que ainda não sabe até onde os juros precisarão subir e destacou a diferença entre as taxas de curto prazo e os rendimentos dos Treasuries de dois anos, em meio à resiliência da economia americana.
Títulos públicos também pressionam a Europa
A pressão sobre os títulos públicos também se estendeu à Europa. No Reino Unido, o rendimento dos títulos de 30 anos ultrapassou 6% nesta manhã, pela primeira vez desde 1998. O movimento ocorreu enquanto as ações europeias recuavam diante das preocupações dos investidores com os efeitos da alta dos rendimentos sobre os mercados.
Na França, o rendimento do título de 10 anos subiu 0,11 ponto percentual, para 4,95%, maior nível em 25 anos, enquanto o país se encaminha para semanas de disputas em torno de um Orçamento difícil.
Reflexo do mercado de títulos públicos sobre os juros no Brasil
Após registrar leve alta no início na manhã, em meio à valorização do petróleo no exterior e à queda dos rendimentos dos Treasuries de curto prazo, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), por volta das 10h50, os juros futuros reverteram para queda na maior parte da curva, em movimento de ajuste técnico, apesar da alta dos Treasuries longos e como sinal de ajuste das posições do mercado antes do 1º turno das eleições.
Nesse horário, a taxa do DI para janeiro de 2028 recuava a 13,535%, de 13,552% registrados antes; a taxa para janeiro de 2029 cedia a 13,740%, de 13,764% e a taxa do DI para janeiro de 2031, chegava a 13,910%, de 13,945%
Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2032 estava em 13,955%, de 13,984% e a taxa do DI para janeiro de 2035 recuava a a 13,945%, de 13,976%.
O comportamento dos juros futuros brasileiros reflete além do cenário de alta do petróleo e mudanças nas taxas dos títulos americanos, a expectativa por novos eventos no mercado doméstico, como a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral.










