Com 78% das famílias brasileiras endividadas e uma dívida pública federal acima de R$ 7,5 trilhões, os candidatos eleitos neste mês vão assumir seus mandatos com pouco espaço para novas despesas.
A série especial do programa Painel Eletrônico da Rádio Câmara aponta que os eleitos terão pela frente o desafio de estimular o crescimento e ampliar os investimentos em um cenário de dívida pública elevada e alto custo de vida.
Entre os desafios listados estão decidir prioridades no uso de recursos, definir políticas públicas e cuidar da capacidade do Estado de atrair investimentos. No diagnóstico da economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), parte do quadro atual ainda reflete os efeitos da pandemia, que atingiram empresas, governos e consumidores em vários países.
Ela espera que os candidatos tragam um “sopro de esperança” para a população endividada e para quem tem expectativa de crescimento, com um projeto claro de país. A economista defende que o Estado seja indutor de investimentos e inovação, porque “a cada dez projetos, apenas um, em média, vinga”.
Endividamento das famílias e dívida pública apertam o orçamento do próximo governo
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entidade que reúne empresas do comércio, serviços e turismo, mostra que mais de três em cada quatro famílias (cerca de 78%) seguem endividadas, com o cartão de crédito como principal tipo de dívida.
Dados do Banco Central indicam que o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida permanece acima de um quarto da renda mensal. No setor público, o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, do Tesouro Nacional, aponta estoque superior a R$ 7,5 trilhões, com custo médio em alta e maior participação de títulos atrelados à taxa Selic.
Infraestrutura recebeu R$ 280 bilhões, mas setor diz que precisa do dobro
Na infraestrutura, os investimentos alcançaram cerca de R$ 280 bilhões no ano passado, o maior volume desde 2010, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), entidade que reúne empresas do setor e elabora o levantamento anual.
O valor equivale a aproximadamente 2% do PIB, metade do que o setor considera necessário. Do total, 80% vêm de capital privado, captado no mercado ou via financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O consultor legislativo da Câmara dos Deputados Alessandro Reichert afirma que somente o capital privado não será suficiente para enfrentar infraestruturas em que não há viabilidade para exploração por meio de concessão. “A gente ainda tem uma baixa capacidade de investimento público”, diz. Ele acrescenta que o cenário fiscal no Brasil é complexo, assim como os desafios do ponto de vista ambiental e energético.
Fora do núcleo econômico imediato, a cultura movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano e emprega quase 6 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE. O consultor legislativo Renato Gilioli calcula que cada R$ 1 gasto com cultura gera cerca de R$ 1,70 de retorno à economia. Para Gilioli, o desafio dos próximos governos e do Congresso será preservar mecanismos de financiamento que combinem incentivos fiscais e fomento direto, permitindo que estados e municípios mantenham políticas culturais em diferentes áreas artísticas.
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