O Super El Niño se tornou o principal fator climático de risco para o mercado global de açúcar, segundo relatório da Hedgepoint Global Markets divulgado nesta sexta-feira (2). O fenômeno pode restringir a oferta no curto prazo diante da seca na Ásia e das chuvas acima da média no Brasil.
A combinação de condições climáticas distintas entre as principais regiões produtoras pode afetar a produtividade da cana e o ritmo de colheita. Segundo a Hedgepoint, o cenário também pode dar suporte ao contrato de açúcar com vencimento em março de 2027.
A maioria das agências meteorológicas projeta que o Super El Niño atinja seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, segundo o relatório.
Chuvas no Brasil afetam colheita atual de açúcar
No Brasil, as previsões indicam chuvas acima da média na maior parte do Centro-Sul entre outubro e dezembro. O período corresponde à primavera e ao início do verão no país.
Para a safra atual, o excesso de precipitação pode prolongar as interrupções na colheita e reduzir a eficiência das operações. Ao mesmo tempo, a maior umidade favorece o desenvolvimento da cana para a safra 2027/28.
“No curto prazo, chuvas adicionais provavelmente prolongarão as interrupções na colheita, reduzirão os níveis de ATR (Açúcar Total Recuperável) e diminuirão a eficiência operacional”, afirma Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.
A Hedgepoint já considera em suas estimativas os efeitos das condições climáticas sobre o ATR e o ritmo de colheita. Ainda assim, a empresa avalia que as previsões atuais de chuva representam um risco de revisão para baixo das projeções.
Uma oferta mais restrita no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027 pode dar suporte adicional ao contrato com vencimento em março.
Seca na Índia ameaça produtividade
Na Índia, a monção terminou significativamente abaixo da média, com déficits de chuva concentrados em Maharashtra e Karnataka, importantes estados produtores de cana.
As temperaturas elevadas aumentaram o estresse das lavouras durante uma etapa relevante do desenvolvimento da cultura. Segundo a Hedgepoint, o cenário gera preocupação com a produtividade, a recuperação de açúcar e a eficiência da moagem. “Isso sugere que o país pode vir a precisar de novas quotas de importação durante a safra 26/27”, afirma Lívea.
A necessidade de importações adicionais pode aumentar a demanda da Índia pelo açúcar disponível no mercado internacional.
Tailândia enfrenta falta de umidade
A Tailândia também apresenta condições de menor disponibilidade de água. As previsões indicam chuvas abaixo do normal e temperaturas acima da média até o início de 2027.
Como a produção de cana do país depende fortemente das chuvas, a combinação de déficit de umidade e calor pode afetar a produtividade e o teor de açúcar da matéria-prima.
As previsões de chuva para novembro ainda podem favorecer o desenvolvimento da cana e reduzir a possibilidade de antecipação da colheita. Com isso, a expectativa da Hedgepoint é de início da colheita apenas em dezembro.
Indonésia pode aumentar importações
Na Indonésia, o impacto sobre a safra atualmente em colheita tende a ser mais limitado. O principal risco está relacionado às próximas safras.
A expectativa é de que a estação chuvosa chegue mais tarde e seja mais curta do que o normal em grande parte do país, especialmente em Java, uma das principais regiões produtoras de cana.
A menor reposição da umidade do solo pode prejudicar o desenvolvimento das futuras safras de rebrote. Segundo a Hedgepoint, isso pode levar a Indonésia a aumentar a demanda por açúcar no mercado internacional durante a safra 2026/27.
O movimento ocorreria após um ano de menor dependência do mercado externo.
União Europeia reduz previsão de produção
Na União Europeia, a produção de beterraba sacarina foi afetada por um verão quente e seco. Diante das condições climáticas, a Hedgepoint reduziu sua projeção de produção de açúcar na região de 13,8 milhões para 13,1 milhões de toneladas.
O novo número representa queda de 17% em relação à safra 2025/26 e fica 2,2% abaixo da estimativa da Comissão Europeia. As condições mais úmidas registradas desde o fim de agosto trouxeram algum alívio para as etapas finais do desenvolvimento da safra. Por outro lado, chuvas excessivas durante o outono podem dificultar a colheita.










