A produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto na comparação com julho, marcando a queda mais intensa para o mês desde 2022, aponta a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (2). O resultado também veio abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava um pequeno avanço.
Na comparação com agosto de 2025, a produção industrial caiu 1,2%. Apesar do resultado mensal negativo, o setor acumula alta de 0,8% em 2026, enquanto no período de 12 meses encerrado em agosto, a expansão foi de 0,6%.
O desempenho de agosto ocorreu com retração nas quatro grandes categorias econômicas acompanhadas pelo IBGE. Entre os 25 ramos industriais pesquisados, 16 apresentaram queda na comparação com julho.
Rodolfo Margato, economista da XP, avalia que o resultado precede uma provável contração do setor no terceiro trimestre de 2026, ante essa perda de dinamismo da indústria brasileira, disseminada entre as categorias econômicas e classes industriais, que reflete o aperto das condições financeiras, especialmente o cenário de juros elevados, o alto nível de endividamento das empresas e das famílias, além do cenário de incertezas elevadas no ambiente doméstico e global.
O economista sinaliza ainda que há uma pressão dos custos para grande parte das cadeias manufatureiras, diante dos choques de oferta globais. Ele menciona principalmente o choque de energia com o conflito no Oriente Médio e a disparada nos preços do petróleo, além da pressão nos custos de componentes tecnológicos e eletrônicos.
Produtos do fumo lideram quedas em agosto
Entre as atividades industriais, a principal contribuição negativa veio da produção de produtos do fumo, que despencou 23,4% em agosto. O resultado interrompeu uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do segmento. Nesse intervalo, a produção havia acumulado alta de 32,5%.
A segunda maior influência negativa veio dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos, cuja produção caiu 5,5%. Com isso, o setor eliminou o avanço de 3% registrado em julho. As indústrias extrativas também contribuíram para a retração, com queda de 0,7%. Foi o quarto resultado negativo consecutivo do segmento, que acumula perda de 4,7% nesse período.
Outros setores também registraram recuo e pressionaram o resultado geral da indústria. A produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos caiu 4%.
Na sequência, aparecem produtos de borracha e material plástico, com baixa de 1,8%; confecção de artigos do vestuário e acessórios, com queda de 3,3%; coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 0,4%; produtos de metal, com retração de 1,6%; e outros equipamentos de transporte, que tiveram queda de 2,9%.
Produção de alimentos avança pelo segundo mês seguido
Entre as nove atividades que registraram crescimento em agosto, a produção de produtos alimentícios teve a principal contribuição positiva para o resultado da indústria. O segmento avançou 1%, registrando a segunda alta consecutiva. Com o desempenho, acumula crescimento de 2,2% no período.
Também apresentaram expansão os setores de produtos diversos, com alta de 8,4%; produtos químicos, com avanço de 0,9%; e metalurgia, que cresceu 0,8%.
Produção industrial também recua no trimestre
A trajetória recente da indústria também aparece na média móvel trimestral, indicador utilizado para acompanhar o comportamento da produção considerando um período de três meses e reduzindo o efeito de oscilações pontuais.
Na comparação com julho, a média móvel trimestral caiu 0,7% no trimestre encerrado em agosto. Entre as grandes categorias econômicas, a maior queda em agosto foi registrada pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, com retração de 1,6%. O resultado manteve a trajetória descendente iniciada em abril de 2026.
Também houve queda na produção de bens intermediários, de 0,5%, enquanto os segmentos de bens de consumo duráveis e bens de capital recuaram 0,3% cada.
Produção industrial reforça cenário de perda de tração da atividade doméstica
Segundo Margato, o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) é mais um dado que reforça o cenário de perda de tração da atividade doméstica ao longo de 2026, após um primeiro trimestre forte, com crescimento do PIB um pouco acima de 1% na margem.
“Já havíamos observado moderação no segundo trimestre, com crescimento de 0,5% no PIB total, mas com queda no consumo das famílias e desaceleração importante da indústria total e de serviços totais. O terceiro trimestre dá sinais ainda mais fracos, com provável contração da produção industrial e do PIB da indústria, e talvez alguma queda no PIB total”, avalia o especialista.
Nesse cenário, a XP Investimentos estima uma ligeira queda de 0,1% em comparação ao segundo trimestre (com ajuste sazonal) e um crescimento de 1,5% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado.










