O Brasil desperdiça 30% dos alimentos que produz enquanto 55 milhões de brasileiros vivem em algum nível de insegurança alimentar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para enfrentar essa disparidade, a campanha #FazAXepa chega em outubro a feiras, restaurantes e redes sociais, conforme divulgado pela Agência Brasil neste sábado (3).
A iniciativa é do programa Brasil Sem Desperdício, uma cooperação entre a WWF-Brasil e a Wrap (Waste & Resources Action Programme). O objetivo é reduzir o desperdício de alimentos e transformar a forma como as pessoas percebem os produtos que estão fora dos padrões estéticos, por causa de desafios logísticos ou falhas operacionais.
Luiza Soares, líder do programa, explica que o desperdício não ocorre apenas por falhas de planejamento, mas também por padrões culturais que levam à rejeição de alimentos perfeitamente próprios para consumo por questões estéticas ou pela ideia equivocada de abundância.
A campanha chama a atenção para a disparidade entre o volume desperdiçado e a insegurança alimentar: 30% do que é produzido é desperdiçado, enquanto 55 milhões de brasileiros vivem em algum nível de insegurança alimentar.
Xepa vira ingrediente e campanha ocupa feiras em outubro
A campanha se apropria do termo xepa, comum nas feiras para designar as sobras do fim do dia, e propõe uma mudança de comportamento: o que está fora do padrão estético ganha valor como ingrediente fundamental na alimentação e nos negócios.
Ao longo de outubro, mês do Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, a atriz Laila Zaid e a chef Bel Coelho participam de ações em feiras e restaurantes populares para debater o assunto.
Também serão veiculados nas redes sociais do programa e das empresas parceiras vídeos com entrevistas, declarações e receitas que usam alimentos maduros, rejeitados, fora do padrão estético ou próximos do descarte. A expectativa, segundo Luiza Soares, é estimular uma reflexão coletiva sobre como o país atribui valor aos alimentos e incentivar mudanças concretas de comportamento, para que o aproveitamento seja visto como prática simples, possível e desejável.
Desperdício de alimentos é ineficiência econômica e pressão ambiental, diz líder
Para os organizadores, além da questão da segurança alimentar, o desperdício também significa desperdício de recursos naturais e energéticos empregados na produção e no descarte, que causam impactos ambientais e climáticos. “O desperdício de alimentos é, ao mesmo tempo, uma ineficiência econômica, uma pressão ambiental e uma injustiça social”, reforça Luiza Soares.
A campanha busca engajar todos os setores da sociedade — do consumidor às grandes empresas que comercializam alimentos, passando por organizações sociais e pesquisadores capazes de propor inovações e soluções para estancar o desperdício. A visão é de que a transformação não virá de iniciativas isoladas, mas da colaboração entre empresas, governos, academia e sociedade em torno de um objetivo comum, compartilhando aprendizados e definindo novos padrões.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.










